Hospital Cruz Vermelha faturou perto de um milhão de euros ao SNS este ano

Relatório do Tribunal de Contas diz que Estado poderia ter poupado 30 milhões de euros
14 de outubro de 2013 - 16h41



O Ministério da Saúde reagiu hoje à auditoria sobre o acordo com o Hospital da Cruz Vermelha, revelando que, até julho, gastou perto de um milhão de euros com o encaminhamento de doentes para esta unidade de saúde.



Uma nota de imprensa do Ministério da Saúde sublinha “a contenção efetuada nos últimos anos” com a despesa de doentes encaminhados para o Hospital da Cruz Vermelha (HCV), por alegada falta de capacidade dos hospitais públicos.



Segundo a mesma nota, o valor atual do acordo de cooperação com a Cruz Vermelha Portuguesa é de 7.611.420,66 euros, mas, até julho, a Cruz Vermelha Portuguesa tinha faturado à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) 941.041,07 euros.



Na área da cirurgia cardiotorácica, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) gastou 118.074,87 euros, com este encaminhamento.



O valor deste acordo, em 2010, foi de cerca de 21 milhões de euros, de 14,6 milhões de euros, em 2011, e de 7,6 milhões de euros, em 2013.



Uma auditoria de seguimento das recomendações do Tribunal de Contas (TdC) à execução do acordo de cooperação entre a ARSLVT e a sociedade que explora o HCV, concluiu que o Estado teria poupado 30 milhões de euros se os doentes encaminhados para aquele hospital, entre 2009 e 2011, tivessem sido tratados no SNS.



Sobre o acordo, o TdC criticou o facto de a negociação não ter sido “fundamentada em indicadores sobre a eficiência do SNS, nomeadamente em termos de utilização da capacidade instalada e de custos, não ponderando nem confrontando os preços negociados para a produção prevista nos acordos com os custos dessa produção, em unidades hospitalares do SNS”.



“Se, ao invés do recurso à prestação de serviços” no HCV, entre 2009 e 2011, “os doentes tivessem sido tratados em hospitais do SNS”, a poupança ascenderia a cerca de 29,8 milhões de euros, lê-se no relatório da auditoria.



A poupança seria distribuída pelas especialidades de cirurgia cardiotorácica (8,6 milhões de euros), cirurgia vascular, oftalmologia e ortopedia (21,2 milhões de euros).



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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