Hospitais estão a "bloquear" pedidos de medicamento da Hepatite C

Medicamento foi aprovado na Europa em janeiro e aguarda atualmente aprovação pelo Infarmed
12 de junho 2014 - 14h03



A Ordem dos Médicos revelou hoje que há médicos pressionados pelas administrações hospitalares para não fazerem pedidos de autorização especial para o novo medicamento contra a Hepatite C e que a maioria destes pedidos não chega ao Infarmed.



Numa conferência de imprensa promovida pela SOS Hepatites, a dirigente desta associação disse ter chegado ao seu conhecimento que em março havia 85 pedidos de Autorização de Utilização Especial (AUE) para o medicamento Sofosbuvir, o único que dá para todos os genótipos da infeção.



Este medicamento foi aprovado na Europa em janeiro e aguarda atualmente aprovação pelo Infarmed. Enquanto isso não acontece, para cada caso mais grave, os hospitais têm de fazer um pedido de AUE, que é enviado, avaliado e aprovado, ou não, pela autoridade do medicamento.



A SOS Hepatites diz que os seus doentes se queixam de que os médicos fazem os pedidos, mas as autorizações e os medicamentos nunca chegam.



A este propósito, o bastonário da Ordem dos Médicos, que se associou a estes doentes, José Manuel Silva, disse ter informação de que “só chegaram dois pedidos ao Infarmed” e que estes foram autorizados.



Segundo o bastonário, “o problema não está no Infarmed, está nos hospitais, que bloqueiam a chegada dos pedidos”.



“Sabemos que há médicos pressionados pelas administrações hospitalares para não fazerem seguir os pedidos”, revelou.



A situação é tal – acrescenta - que “há médicos neste momento que têm medo de falar, porque lhes foi imposta a lei da rolha”.



“Nós [Ordem] dizemos-lhes que devem tratar os doentes e fazer os pedidos de AUE de acordo com a evidência científica” e não cedendo à pressão dos CA hospitalares, porque “o bloqueio tem de vir de outrem”, contou.



José Manuel Silva apelou aos doentes para que peçam ao seu médico cópias dos pedidos de AUE e os enviem à Ordem, para que esta possa intervir e interpelar os CA hospitalares e denunciá-los publicamente.



“Com os pedidos na mão poderemos ser consequentes e fazer alguma coisa de facto”, sublinhou.



Questionado pelos jornalistas sobre se já tinha conhecimento de algum caso de algum CA hospitalar em concreto que estivesse a fazer esse “bloqueio” às AUE, o bastonário respondeu afirmativamente, mas escusou-se a apontar, para já, os nomes, considerando que a responsabilidade última é do Ministério da Saúde.



“Sabemos de casos concretos, mas não é altura agora de revelar os hospitais. Têm dificuldades, que compreendemos, decorrentes da lei dos compromissos. Quem está a condicionar a posição do Infarmed e dos hospitais é o Ministério da Saúde. A responsabilidade é deles”.



Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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