Hospitais de Coimbra participam na criação de "software" para genoma dos doentes

Sequenciação do genoma demora atualmente entre uma a duas semanas para estar concluída
2 de abril de 2014 - 17h45



O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) vai participar no desenvolvimento de uma plataforma de “software” da “start-up” Coimbra Genomics, que permitirá a consulta por médicos do genoma dos doentes.



A plataforma de “software”, que já está em desenvolvimento e que deverá demorar entre dois a três anos a estar concluída, "é completamente inovadora", referiu Nuno Arantes Oliveira, diretor daquela “start-up”, explicando que, a partir deste projeto, será possível "o médico consultar o genoma do doente, com a permissão do próprio, e perceber qual a ação a tomar face à informação que recebe do genoma".



A partir da plataforma, o médico "consegue saber se é mais ou menos provável o doente ter determinada doença e como é que pode reagir a determinada terapia", aclarou, acrescentando que "esta é uma ferramenta que permite aos médicos a tomada de decisões com base no genoma".



Neste momento, a sequenciação do genoma é feita, normalmente, para "fins de investigação ou para situações médicas muito específicas", demorando "entre uma a duas semanas" a fazer-se a sequenciação do genoma completo de uma pessoa, disse à agência Lusa Nuno Arantes Oliveira.



O diretor da empresa considerou que, "num futuro próximo, a sequenciação custará provavelmente menos de mil euros a ser feita", usando-se aqui a informação do genoma de forma "simplificada, útil e validada científica e clinicamente".



Segundo Nuno Arantes Oliveira, o estudo da relação entre doenças e genética é feito "em diferentes áreas terapêuticas", sendo "a área da oncologia e da farmacogenómica [relação entre genes e respostas a diferentes fármacos] as mais evoluídas".



"Em última análise, é aplicável a quase qualquer doença, porque os genes estão relacionados com a maioria das doenças e com as reações às terapias", constatou.



De momento, há uma equipa de duas pessoas da “start-up” a trabalhar no projeto, que será "aumentada em breve para sete", participando na plataforma o parque tecnológico Biocant Park e da empresa Critical Software.



"Queremos que o CHUC possa ser o primeiro a usar a plataforma", afirmou o diretor da empresa criada em 2012 e que começou a sua atividade em meados de 2013, tendo já celebrado contratos com o instituto chinês BGI e com o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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