Hospitais cortaram um quarto dos exames e análises em dois anos

Hospitais públicos fizeram menos 44 milhões de atos complementares de diagnóstico entre 2010-12

4 de abril de 2014 - 16h01



Os hospitais públicos fizeram menos 44 milhões de atos complementares de diagnóstico (análises e exames) e menos 2,6 milhões de atos complementares de terapêutica (radioterapia, fisioterapia, quimioterapia), entre 2010 e 2012. Pelo contrário, no mesmo período as unidades privadas aumentaram a sua atividade nas duas áreas.



Os dados são revelados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Nestes dois anos, o número total de exames e análises caiu 26,5%.



Entre 2002 e 2010, o número de atos complementares de diagnóstico cresceu nos hospitais públicos, tendência que se perdeu em 2010, quando o número baixou substancialmente (menos 44 milhões de exames e análises).



Nos hospitais privados, que em 2012 asseguravam 7,9% do total das análises e exames (contra apenas 1,1% em 2002), esta atividade aumentou substancialmente com a realização de mais um milhão de atos em 2010 para 9,6 milhões em 2012.



Em 2012, nos 214 hospitais que existem no país (110 são públicos) realizaram-se 122 milhões de atos complementares de diagnóstico e 22 milhões de atos complementares de terapêutica. Também os atendimentos em urgência duplicaram numa década, passando de 460 mil, em 2002, para 800 mil, em 2012. Mesmo assim, o setor público foi responsável por 88% das urgências em 2012.



Ao longo desta década, os hospitais públicos perderam cerca de três mil camas, enquanto os privados passaram a dispor de mais 1400 camas. As grandes e médias cirurgias, depois de terem crescido até 2010, diminuiram em 2011 e 2012 no setor público, refere o INE.



Por outro lado,aumentaram as consultas médicas externas (16,5 milhões em 2012), um acréscimo de 69% numa década, e há mais dez mil médicos e 23 mil enfermeiros.



Na mortalidade, morre-se cada vez menos devido a doenças cardiovasculares (menos 21% em dez anos), mas aumentaram os óbitos por tumores malignos (mais 14,1% entre 2002 e 2012).



Quanto à esperança média de vida com saúde, esta cifra-se nos 58,6 anos, em média, para as mulheres, enquanto nos homenos se situa nos 60,7 nos.



SAPO Saúde

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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