Homem de Neandertal usava palito para aliviar dores das gengivas

Estudo revela que palito servia para acalmar a dor causada por doenças da boca
17 de outubro de 2013 - 13h51



O homem de Neandertal usava palitos para acalmar a dor provocada por problemas da boca, como a inflamação das gengivas, conclui um novo estudo, que documenta este como o caso mais antigo de tratamento paliativo com este objeto.



A investigação, realizada pelo Instituto Catalão de Paleontologia Humana e Evolução Social (IPHES), com sede em Tarragona, em colaboração com a Universidade Autónoma de Barcelona (UAB), representa um passo em frente na caracterização do homem de Neandertal como uma espécie com um amplo leque de adaptações ao meio e aos recursos disponíveis.



O hábito de eliminar os restos de comida dos dentes com o palito há anos que surgia associado ao género "homo", tendo sido inclusivamente já sido documentado o seu uso em dentes do "homo habilis", que viveu há entre 1,9 e 1,6 milhões de anos.



A nova investigação, baseada em restos fósseis de um Neandertal, demonstra que este hominídeo usava os palitos de dentes com outro objetivo: acalmar a dor causada por algumas doenças da boca, nomeadamente a inflamação das gengivas.



O fóssil no qual foi observada esta patologia foi encontrado em Valência e, ainda que a sua cronologia não seja muito clara, confirma-se que se trata de um Neandertal que viveu há entre 150.000 e 50.000 mil anos.



A investigação relaciona as marcas de palitos nos molares do Neandertal com a doença periodontal (inflamação das gengivas), uma vez que o fóssil analisado apresentava porosidade nos maxilares e perda de osso, ambos sintomas característicos da deterioração causada por essa doença.



A investigadora do IPHES Marina Lozano explicou que "este indivíduo, numa tentativa de aliviar as dores que lhe causava a doença periodontal, que muito frequentemente causava sangramento, utilizou o palito de forma sistemática".



O uso frequente e intenso de palitos de dentes por parte do homem de Neandertal é provado pelos "sulcos detetados na zona de contacto entre dois dentes adjacentes", conclui Marina Lozano.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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