HIV volta a ser detetado em doentes que pareciam curados

Sinais de HIV voltaram 12 semanas e 32 semanas após a interrupção da terapia nos dois doentes

10 de dezembro de 2013 - 11h32

Sinais do vírus HIV voltaram a aparecer em dois homens norte-americanos que pareciam estar curados do vírus, depois de serem submetidos a transplantes de medula para tratar um cancro.

Segundo especialistas médicos norte-americanos, a descoberta representa um retrocesso e uma decepção perante os esforços para encontrar a cura para a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana adquirida, causador da Sida, mas traz novas pistas importantes para combater a doença.

Acredita-se que apenas uma pessoa tenha se curado do HIV. O americano Timothy Brown, que sofria de leucemia, submeteu-se a um transplante de medula, recebida de um doador raro, resistente ao HIV, e há seis anos não apresenta sinais do vírus.

"O retorno de níveis detetáveis de HIV nos nossos doentes é decepcionante, mas cientificamente significativo", afirmou Timothy Heinrich, médico da Divisão de Doenças Infecciosas do Brigham and Women's Hospital, em Boston.

"Com esta informação, nós descobrimos que o reservatório de HIV é mais profundo e mais persistente do que se sabia anteriormente", afirmou em comunicado enviado à AFP.

Os dois homens seropositivos receberam transplantes de medula para tratar um tipo de cancro do sangue conhecido como linfoma de Hodgkin - um, em 2008, e o outro, em 2010. Cerca de oito meses depois dessas cirurgias, o HIV não foi mais detetado no sangue.

Tratamento suspenso

Os pacientes ainda fizeram terapia com drogas antirretrovirais, mas decidiram parar os tratamentos no início do ano.

Em julho, os médicos anunciaram resultados preliminares encorajadores: um doente parecia estar livre do HIV depois de estar sete semanas sem tomar medicamentos, e o outro, por 15 semanas.

Mas os sinais de HIV voltaram 12 semanas após a interrupção da terapia no primeiro doente, e no segundo, 32 semanas após a suspensão da medicação.

Ao contrário de Brown, os transplantes de medula destes pacientes não vieram de doadores portadores de uma resistência genética ao HIV.

SAPO Saúde com AFP

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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