Heroína mantém declínio, drogas de substituição preocupam especialistas

Heroína parece estar a ser substituída por outras substâncias, incluindo opiáceos
27 de maio de 2014 - 10h00



A heroína continua em declínio na Europa, mas as drogas de substituição causam grandes preocupações aos responsáveis europeus, assim como os surtos de recentes de VIH entre consumidores na Grécia e na Roménia, indica um relatório hoje divulgado.



De acordo com o último relatório da agência europeia de monitorização do fenómeno da droga (EMCDDA), a heroína parece estar a ser substituída por outras substâncias, incluindo opiáceos e estimulantes sintéticos.



Além disso, “a ausência de intervenções suficientes destinadas a reduzir a procura, em especial no que se refere à oferta de tratamentos, e de medidas de redução dos danos pode ser igualmente um fator importante”, refere o documento.



Globalmente, as mortes relacionadas com a droga baixaram. Foram notificadas cerca de 6.100 mortes por 'overdose' na Europa em 2012, na sua maioria ligada aos opiáceos, mas estes dados representam uma redução em relação tanto a 2011 (com 6.500 casos notificados) como a 2009 (7.100 casos).



Embora a heroína esteja ainda envolvida em muitas 'overdoses' fatais, as mortes relacionadas com o seu consumo estão, de um modo geral, a diminuir, enquanto as relacionadas com o consumo de opiáceos sintéticos estão a aumentar em alguns países.



Estima-se que a taxa média de mortalidade por 'overdoses' na Europa seja de cerca de 17 mortes por milhão de habitantes (entre os 15 e os 64 anos), mas há grandes variações a nível nacional. Cinco países registaram taxas superiores a 50 mortes por milhão de habitantes, sendo as mais elevadas notificadas pela Estónia (191 por milhão) e pela Noruega (76 por milhão), seguidas da Irlanda (70 por milhão), Suécia (63 por milhão) e Finlândia (58 por milhão).



O documento hoje apresentado adverte ainda que a elevada potência de algumas substâncias sintéticas dificulta ainda mais a sua deteção, dado que estão presentes no sangue em concentrações muito baixas.



“A emergência de substâncias sintéticas extraordinariamente potentes tem igualmente implicações ao nível da aplicação da lei, na medida em que mesmo pequenas quantidades destas drogas podem dar origem a inúmeras doses”, sublinham.



Por Lusa



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artigo do parceiro: Nuno Noronha

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