Há hospitais a dificultar o acesso a consultas para hipertensão pulmonar

Doença cria um cansaço extremo e pode ser fatal
10 de abril de 2013 - 09h31



A Associação Portuguesa de Hipertensão Pulmonar avisou hoje que há hospitais que estão a dificultar o acesso dos doentes à primeira consulta de especialidade desta doença, que afeta pulmões e coração e pode ser mortal na ausência de tratamento.



“Há hospitais, mais na zona sul do país, que estão em processos de reorganização interna de acordo com o Plano Nacional das Doenças Raras. E ao nível da primeira consulta, que é fundamental para estes doentes, está a ser dificultada, para não dizer que está a ser impedida”, afirmou à agência Lusa Maria João Saraiva, responsável daquela associação.



A hipertensão pulmonar é uma doença rara, que afeta pulmões e coração, que leva a um aumento da pressão com que o sangue circula nos vasos pulmonares, podendo tornar-se rapidamente numa doença incapacitante, criando um cansaço extremo.



A Associação Portuguesa de Hipertensão Pulmonar explica que a marcação de primeiras consultas em centros específicos pode ser solicitada pelo médico de família ou de outras especialidade, como medicina interna.



Sem querer indicar os nomes dos hospitais em que se estarão a registar dificuldades na marcação das primeiras consultas, Maria João Saraiva apenas adiantou que se trata, na maioria, de unidades na “zona sul do país”.



Segundo a responsável, também ela doente, os utentes já com consultas continuam a ser seguidos nesses hospitais, mas as primeiras consultas estão a ser reencaminhadas para outros hospitais.



“Esta fase da primeira consulta é fundamental. É muito importante que o diagnóstico seja feito em hospitais experientes nesta patologia, para depois se acelerar todo o processo terapêutico”, adiantou, explicando que a primeira consulta permite diferenciar sintomas, uma vez que muitos deles são comuns a outras doenças.



Maria João Saraiva reconheceu que os doentes com hipertensão pulmonar “são dispendiosos” para o Estado, uma vez que a medicação que tomam pode chegar a custar cerca de 30 mil euros mensais.



Em Portugal haverá algumas centenas de doentes com hipertensão pulmonar, mas nem todos têm necessidade de fazer o mesmo tipo de tratamentos.



“Faço um apelo a que todos os doentes tenham acesso à consulta em centros especializados no assunto. Para se obter os melhores resultados e conseguir uma boa gestão de recursos, recomenda-se que os doentes com hipertensão pulmonar sejam avaliados e tratados em centros diferenciados e vocacionados para esta patologia”, declarou.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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