Grupo de cidadãos teme centralização de serviços médicos numa só ilha nos Açores

Proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde dos Açores esteve em discussão pública
30 de agosto de 2013 - 17h35
O primeiro subscritor de uma petição contra a proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde nos Açores alertou hoje os deputados da região para a intenção do executivo açoriano de centralizar serviços em S. Miguel.
"Há um esvaziamento das especialidades, algumas delas já em funcionamento, nos hospitais da Terceira e da Horta", frisou Carlos Vouzela, primeiro subscritor da petição, em declarações aos jornalistas, à saída de uma audiência na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos Açores.
Carlos Vouzela, que é professor na Universidade dos Açores, garantiu aos deputados que a petição, assinada por mais de 1.800 pessoas, não se baseava em "bairrismos inúteis", mas na preocupação com a possível centralização de serviços numa só ilha.
A proposta de reestruturação do Serviço Regional de Saúde do Governo dos Açores esteve em discussão pública e a nova versão será apresentada no próximo domingo.
Os peticionários temem que a reestruturação faça com que o acompanhamento médico não seja o adequado fora da maior ilha dos Açores e que a concentração de especialidades em S. Miguel crie "uma dificuldade económica a todos os acompanhantes dos doentes que se têm de deslocar para uma ilha mais distante, com a qual não têm grande familiaridade".
Carlos Vouzela salientou que a proposta "não é sustentada por um estudo económico credível" e que os rácios apresentados como justificação não se adequam à realidade arquipelágica.
"É tão caro trazer um doente da Terceira para S. Miguel, como de S. Miguel para a Terceira", frisou, acrescentando que as medidas terão também impacto na economia das outras ilhas.
O primeiro subscritor da petição lembrou também o investimento realizado recentemente na construção do Hospital da Ilha Terceira e em obras no Hospital da Horta.
"Vai fazer com que determinadas estruturas, extremamente pesadas, em que já se gastou o dinheiro da população, fiquem vazias e sem qualquer funcionalidade para o Serviço Regional de Saúde", frisou.
A Comissão de Assuntos Parlamentares ouviu hoje também o primeiro subscritor de uma petição contra o encerramento do serviço urgente no Centro de Saúde da Praia da Vitória (Terceira), sendo as próximas diligências a audição do primeiro subscritor de uma petição contra o encerramento do serviço de atendimento permanente do Nordeste (S. Miguel) e do secretário regional da Saúde.
Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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