Greve na Função Pública está a afetar os hospitais

Sindicatos ameaçam com uma das maiores greves de sempre da história do país
8 de novembro de 2013 - 08h31



A greve de hoje na função pública contra o agravamento da austeridade já começou nos hospitais, nos serviços municipais de recolha de lixo e nos bombeiros, dado que os turnos noturnos começaram antes da meia noite.



O presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins, disse à Lusa que a greve de hoje na Função Pública contra o agravamento da austeridade está a registar uma adesão de 76,2% no setor.



Segundo o dirigente sindical, numa ronda efetuada por 59 hospitais, verificou-se que a adesão no turno da noite varia entre os 44,7% no Hospital de Vila Franca de Xira e os 100% no IPO de Coimbra e no Hospital do Outão, em Setúbal.



A greve dos trabalhadores da administração pública registou até às 00:00 de hoje uma adesão entre os 70% e os 100% na recolha de lixo e nos hospitais, confirmou à agência Lusa a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila.



"A adesão à greve da administração pública situou-se entre os 70% e os 100% nos turnos até às 00:00. Na recolha de lixo rondava os 100% e nos hospitais situava-se entre os 70% e os 100%”, disse Ana Avoila, acrescentando que estes números devem manter-se a partir das 08:00, altura em que se iniciam outros turnos.



O agravamento dos cortes salariais para os funcionários públicos levou os sindicatos da UGT e da CGTP a convocarem esta greve que poderá levar ao encerramento de escolas, tribunais, finanças e deixar o lixo por recolher nas ruas.



A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), a Federação Sindical da Administração Pública (UGT) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (UGT) são unânimes relativamente às perspetivas de adesão ao protesto: a paralisação deverá contar com uma forte adesão tendo em conta a indignação demonstrada pelos trabalhadores.



Os secretários gerais da CGTP e da UGT, que acompanharam os piquetes de greve nos primeiros serviços onde a paralisação se fez sentir, também manifestaram otimismo quanto à perspetiva de elevada adesão.



"Esta greve talvez vá ser uma das maiores de sempre na administração pública, porque os trabalhadores não aguentam mais cortes e sacrifícios", disse à agência Lusa a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila.



Tendo em conta os contactos com os trabalhadores nos locais de trabalho e os resultados de greves anteriores, os dirigentes das três estruturas sindicais que convocaram o protesto acreditam que a paralisação terá resultados mais significativos nos hospitais e centros de saúde, escolas, tribunais, repartições de finanças e administração local.



A recolha de lixo e os transportes municipalizados, que existem em cidades como Braga, Coimbra e Barreiro, deverão ser, de acordo com os sindicalistas, os serviços mais afetados nas autarquias.



A greve dos funcionários públicos foi marcada pelas estruturas sindicais do setor como forma de protesto contra novos cortes salariais e de pensões e o aumento do horário de trabalho, entre outras medidas.



A proposta de lei do Orçamento do Estado (OE2014) entregue dia 15 de outubro no Parlamento pela ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, prevê que seja "aplicada uma redução remuneratória progressiva entre 2,5% e 12%, com caráter transitório, às remunerações mensais superiores a 600 euros de todos os trabalhadores das Administrações Públicas.



O subsídio de Natal dos funcionários públicos e dos aposentados, reformados e pensionistas vai ser pago em duodécimos no próximo ano, segundo a proposta de OE2014, que mantém a aplicação da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) sobre as pensões.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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