Greve dos enfermeiros abriu com 16 reuniões para definir novas formas de luta

A greve mantém-se até sábado, entre as 08h00 e as 12h00
15 de outubro de 2013 - 15h28
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) revelou hoje que não fará balanço de adesão à greve, mas indicou que, nesta primeira manhã de paralisação, se realizaram 16 reuniões gerais para definir novas formas de luta para novembro.
No final da primeira de cinco manhãs de greve dos enfermeiros, o presidente do SEP, José Carlos Martins, informou que “participaram larguíssimas centenas de enfermeiros nos 16 plenários”.
Embora desta vez o SEP não pretenda recolher “dados de adesão rigorosos, como é habitual”, tem indicação de que “a maior parte dos colegas estava em cuidados mínimos”.
Segundo o sindicalista, as 16 reuniões gerais tiveram como principal objetivo discutir “formas de luta para novembro, caso o Ministério da Saúde, de forma sensata, não evolua de posição e não se aproxime das posições sindicais na próxima reunião do dia 23 de outubro”.
No centro da greve e das reuniões esteve o Orçamento do Estado, a ser entregue hoje na Assembleia da República, que perspetiva “a manutenção ou a redução do volume a ser atribuído ao SNS [Serviço Nacional de Saúde]”.
“Isto tem um profundo impacto a vários níveis: é um potencial drama para as populações, porque pode ser um potencial drama para o SNS, isto é, com menos dinheiro a lógica do Ministério da Saúde vai ser manter esta perspetiva de emagrecer o SNS, encerrando serviços, encerrando instituições e transferindo a gestão de alguns hospitais para as Misericórdias”, afirmou.
Por outro lado, José Carlos Martins considera que, com menos dinheiro, haverá menos condições para “os materiais que hoje já faltam” e para resolver os problemas com que os profissionais se confrontam.
“Nós temos problemas com a precariedade, com a carência de enfermeiros, com as centenas de horas a mais que não são pagas, temos problemas da área económica, somos os licenciados da administração pública e, na saúde, dos mais mal pagos, estão a impor-nos as 40 horas sem impacto real na prestação de cuidados”, disse.
José Carlos Martins sublinhou que, “a não ser ultrapassado” este problema, haverá uma “agudização das formas de luta, que resultarão das reuniões”.
A greve mantém-se durante mais quatro manhãs, entre as 08:00 e as 12:00, no decurso da qual realizar-se-ão mais reuniões gerais de enfermeiros.
SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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