Governo vai criar rede de tratamento da Sida em todo o país até final do ano

Em Portugal estima-se que existam 70 mil pessoas infetadas com o vírus da Sida
19 de junho de 2013 - 16h04



O Ministério da Saúde anunciou hoje que até final de novembro será criada uma rede de referenciação e tratamento para doentes com VIH/Sida, com o objetivo de aumentar e melhorar o acompanhamento destas pessoas.



Durante a apresentação da campanha dos 30 anos contra o VIH/Sida, o secretário de Estado da Saúde Fernando Leal da Costa anunciou a criação de “uma rede no terreno para tratamento de doentes com VIH/Sida”.



“Haverá uma concentração de serviços e vamos criar mecanismos para melhorar a distribuição em função da dimensão do país, com um centro de referência por região e eventuais polos satélite, para aproximar as pessoas”, afirmou Leal da Costa, dando como exemplo o funcionamento dos centros hospitalares.



O objetivo é aproximar geograficamente as pessoas que vivem em regiões mais interiores do país e a uma maior distância dos atuais centros de tratamento, de centros mais próximos, onde possam ser tratadas.



“Vamos criar condições para ter centros de tratamento regionais e construir uma rede numa lógica regional e não só nacional”.



O governante especificou ainda que, no âmbito desta rede, serão criadas “consultas deslocalizadas”, rotativas por mais do que um dos polos, para atender as pessoas que vivem em zonas mais distantes.



“Em algumas zonas podemos criar uma consulta deslocalizada do Hospital, aonde se desloque o profissional de saúde, para diminuir a distância a percorrer pelo doente”, que assim deixa de ter que se deslocar sempre ao hospital e passa a ir à consulta mais próxima na sua zona, disse.



Consulta de Infecciologia



O secretário de Estado deixou claro que este profissional que se deslocará para dar consultas a doentes com VIH/Sida não poderá ser um médico de família, terá de ser sempre um infecciologista.



“Não temos intenção de substituir todos os especialistas pela especialidade de medicina geral e familiar, mas estes podem ter um papel importante em convidar os utentes a fazerem o diagnóstico”, sublinhou.



Fundamentalmente, o objetivo da tutela é permitir aos doentes acederem em tempo útil a serviços de qualidade em todo o lado e concentrar as melhores respostas possíveis para serem dadas no tempo mais célere, sintetizou, garantindo que a criação desta rede não implicará o encerramento de serviços.
“Vai haver uma distribuição e não um encerramento”, podendo mesmo haver “a abertura de novos centros”, disse, sublinhando que na base da estruturação desta rede estará a “otimização dos recursos disponíveis”.




Para já não está prevista a distribuição de medicamentos aos doentes a partir desses centros de tratamento, embora Leal da Costa tenha afirmado que estão em estudo possibilidades de distribuição fora dos hospitais, para garantir que não existirá em circunstancia alguma descontinuidade do tratamento.



Esta rede de tratamento estará integrada numa rede de referenciação a ser criada simultaneamente e que visa referenciar rapidamente para tratamento os novos diagnósticos de VIH/Sida, explicou o coordenador do programa nacional para a infeção do VIH/Sida, António Diniz.



22 mil pessoas em tratamento



Em Portugal estima-se que existam 70 mil pessoas infetadas (0,7% da população), mas apenas entre 22 e 25 mil estão em tratamento, enquanto 35 mil estarão infetadas sem saber e as restantes sabem mas não estão ainda referenciadas para tratamento.



É a estes casos que a rede de referenciação pretende dar resposta.



Assim, a rede terá que estar montada até final de novembro, altura em que, no âmbito da campanha dos 20 anos do VIH, haverá “a semana do teste”, em que será feito um forte apelo às pessoas para fazerem o rastreio.



Tanto o secretário de Estado como António Diniz admitiram estar à espera de ter um aumento significativo do número de infetados diagnosticados, naquela semana.



António Diniz explicou que se o diagnóstico é feito para referenciar essas pessoas, tem que haver uma rede pronta.



“Uma semana é o espaço máximo de tempo para as pessoas estarem referenciadas. A rede pode não estar totalmente pronta, mas estará de certeza montada, porque um eventual afluxo de pessoas infetadas têm que saber para onde e quando vão ser seguidas”, disse, adiantando ter já entregado à tutela a proposta de modelo para esta rede.



Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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