GAT defende "prevenção específica" para grupos mais vulneráveis à infeção por VIH

Todos os anos surgem cerca de 1.500 novos casos em Portugal

20 de novembro de 2013 - 13h58

O presidente do Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA defendeu hoje uma “prevenção específica” para os grupos mais vulneráveis à infeção para combater a epidemia em Portugal, onde se estima existiram 25.000 casos não notificados.

“Há grupos de pessoas mais vulneráveis que precisam de uma prevenção dirigida e específica para as suas necessidades”, disse Luís Mendão, que falava à Lusa a propósito da III Conferência VIH Portugal, que decorre na quinta e sexta-feira em Lisboa.

É uma conferência com um “mote muito ambicioso”: ‘Zero novas infeções, zero casos de discriminação, zero mortes por SIDA’, que irá debruçar-se sobre a estratégia que é preciso delinear para controlar e epidemia do VIH em Portugal e no mundo, adiantou.

Todos os anos surgem cerca de 1.500 novos casos, “o que é imenso”, disse o presidente do GAT, considerando que na prevenção e na caracterização da epidemia é preciso “trabalhar a montante do Serviço Nacional de Saúde”.

Sobre o que tem falhado na luta contra a doença, Luís Mendão apontou as mensagens de prevenção e o acesso aos meios de prevenção: “Nós nunca tivemos e ainda não temos planos verdadeiramente eficazes e monitorizados na sua qualidade para o acesso ao preservativo feminino e masculino e às seringas”.

“Temos programas de distribuição de seringas, de preservativos mas não sabemos se os estamos a fazer chegar às pessoas que precisam deles”, disse, acrescentando: “Há um conjunto de questões que nunca nós verificámos bem, do ponto de vista de saúde pública, o que mais era necessário fazer”.

Por outro lado, há grupos sociais mais vulneráveis com “necessidades específicas de prevenção”, como migrantes em situação irregular, pessoas com dificuldades linguísticas ou culturais e utilizadores de drogas.

Luís Mendão adiantou que um dos grupos mais atingidos neste momento pela epidemia são os homens que têm sexo com homens, considerando ser “muito importante perceber que necessidades específicas de prevenção este grupo precisa”.

“Essas ações [de prevenção] existem parcialmente, mas nós precisamos de respostas que sejam de acordo com as suas necessidades”, reiterou.

Outro problema apontado por Luís Mendão é o diagnóstico tardio no acesso e adesão aos tratamentos, justificando que mais de 50% das pessoas chegam “demasiado tarde” ao sistema de saúde.

“Há demasiadas pessoas a morrer por questões ligadas ao VIH” o que não é justificável, porque atualmente, face ao estado dos tratamentos, “é possível que as pessoas infetadas pelo VIH façam uma vida normal e morram de outras consequências que não a evolução da infeção para sida”.

Sublinhou ainda que “a epidemia do VIH e doenças associadas é desproporcionalmente grande em Portugal, comparativamente com outros países da União Europeia”.

Nesse sentido, defendeu, é necessário definir uma política de vigilância epidemiológica, prevenção, identificação precoce e acesso ao tratamento baseada no conhecimento e nos direitos humanos.

Cerca de 500 pessoas são esperadas na conferência, organizada pelo VIH Portugal, um grupo independente de ativistas, profissionais de saúde, investigadores e decisores que trabalham na área do VIH/SIDA.

A conferência realiza-se numa altura em que existem em Portugal mais de 42 mil pessoas notificadas com infeção por VIH, tendo sido reportados no ano passado 1.500 novos casos.

Lusa

artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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