Fundação Champalimaud participa em projeto europeu para reproduzir cérebro humano em computador

Dois investigadores do programa de neurociências da fundação fazem parte do “Human Brain Project”

12 de julho de 2013 - 17h00

A Fundação Champalimaud anunciou hoje a sua participação num projeto
europeu “ambicioso” que reproduzirá um modelo do cérebro humano em
computador e a criação de uma equipa para tratar o cancro colo-retal de
forma menos invasiva e mutiladora.

No final de uma reunião do
Conselho de Curadores da Fundação Champalimaud (FC), a presidente,
Leonor Beleza, revelou que dois investigadores do programa de
neurociências da fundação fazem parte do “Human Brain Project”, um
projeto com o objetivo “extremamente ambicioso” de fazer um modelo em
computador do cérebro humano.

Este “grande empreendimento europeu”
é um projeto de investigação que abrange 200 investigadores em todo o
continente e 80 laboratórios diferentes, deverá durar 10 anos e será
financiado por mil milhões de euros, acrescentou.

Outra novidade
apresentada hoje por Leonor Beleza foi a criação de uma equipa para
trabalhar na área do cancro colo-retal, sob a direção de um médico do
Reino Unido, “considerado o papa da cirurgia colo-retal, que introduziu
técnicas muito menos mutilantes do que tradicionalmente são”.

“Acabámos
de constituir uma equipa para abordar o cancro colo-retal”, afirmou,
explicando que este grupo de trabalho nasceu da vontade de “investir de
maneira particular na área do cancro colo-retal, um cancro com grande
incidência em Portugal, que causa grande mortalidade, causa muito
sofrimento e muita mutilação na forma como é normalmente abordado”.

“Muitas
vezes a cirurgia afeta funções essenciais das pessoas e fá-las passar a
viver com muito menos qualidade de vida”, afirmou, justificando assim a
necessidade que a fundação sentiu de procurar formas menos mutilantes
de abordagem e que preservem as condições das pessoas, não investindo
imediatamente, e enquanto for possível, com meios de tratamento de
cancro que são invasivos.

Trata-se de uma técnica baseada numa
vigilância ativa e que só recorre a um ataque de forma agressiva se o
cancro se apresentar também de forma muito agressiva e for necessário
intervir imediatamente.

E mesmo nestes casos – destaca a
presidente – em que é necessário uma abordagem de caráter cirúrgico, o
objetivo é tentar que esta “preserve as funções essenciais das pessoas e
não lhes cause mutilação para o resto da vida”.

O agora diretor
da Unidade de Cancro Colo-Retal da FC, Bill Heald, explicou aos
jornalistas que o ponto está em não fazer a cirurgia rapidamente, mas
“devagar, cuidadosamente e removendo de forma segura uma parte muito
precisa, que controle todo o cancro”.

No entanto, sublinha, por
melhor trabalho que o cirurgião faça, há áreas do cancro espalhadas
localmente que não vão ficar controladas e, nestes casos, é necessário
recorrer a tratamentos com radiação, guiados através de imagem por
ressonância magnética.

“É uma ideia revolucionária que destrói o
tumor, com imagens bem focalizadas em áreas de destruição muito bem
mapeadas”, explicou.

O especialista faz a comparação com a
diferença entre um “horrível bombardeamento” que destrói toda uma cidade
e o envio de um míssil guiado que apenas atinge a base militar, o que
“com esta máquina é possível” para o cancro.

Relativamente à
criação de uma escola para formação de profissionais em radioterapia com
recurso ao acelerador linear, anunciada pela presidente da FC em 2012,
Leonor Beleza anunciou que “o primeiro curso terá lugar a seguir ao
verão”.

Lusa

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