Físico defende que algumas medicinas alternativas são "vigarice"

Químico disse que os “temidos ‘E’” dos rótulos de produtos alimentares são produtos "corriqueiros"

10 de novembro de 2013 - 06h37

As palavras ‘terapia’, ‘cura’ e ‘quântica’ juntas na mesma frase são "uma vigarice", defendeu hoje Manuel Rosa Martins, doutorando em Física de Partículas, para quem as medicinas alternativas deveriam chamar-se “medicina de alterne”.

“Não existe medicina alternativa, existe medicina baseada na evidência”, afirmou o doutorando em Física de Partículas Manuel Rosa Martins.

Orador convidado no segundo encontro da Comunidade Cética Portuguesa (Comcept), que decorreu hoje na Nazaré, Manuel Rosa Martins clarificou que a física quântica dá “um grande contributo para ciência médica”, sobretudo ao nível da imagiologia, mas alertou que “as palavras ‘terapia’, ‘cura’ e ‘quântica’ juntas na mesma frase são sinónimo de vigarice”.

O físico comparou as promessas de cura através das medicinas alternativas com “atirar um frasco de mel para oceano e dizer que a água é salgada” e defendeu que aquelas passem a ser chamadas de “medicinas de alterne” por “prostituírem”a palavra quântica ao “prometerem uma cura com energias que não conseguem medir”.

A posição foi defendida perante a plateia de céticos que participaram no segundo encontro da Comcept, uma comunidade fundada em abril de 2012 para “promover o pensamento crítico” e desmistificar “informações pseudocientíficas que são postas a circular e que não têm qualquer fundamento”, disse à Lusa Diana Barbosa, cofundadora do movimento.

Ao químico Paulo Ribeiro Claro coube desmistificar “a má fama” dos produtos químicos, olhados pela maioria dos consumidores como nefastos, quando “da água às plantas, toda a natureza tem elementos químicos”.

O ácido salicílico “é conhecido desde a Antiguidade como anti-inflamatório e bom analgésico e existe na casca do salgueiro”. Porém, alertou, “se usado apenas como existe na casca do salgueiro dá cabo do estômago”, mas se lhe for adicionado “um composto químico, trata a dor sem esse efeito secundário”.

Ceticismo é a palavra de ordem

“Temos que ter algum ceticismo em relação a tudo o que nos tentam vender como sendo bom ou sendo mau”, alertou, exemplificando com “as primeiras versões de descafeinação do café” feitas com recurso a “lavagem com solventes orgânicos cujos resíduos eram difíceis de eliminar”.

O químico defendeu ainda que os “temidos ‘E’” dos rótulos de produtos alimentares (como os emulsionantes) não passam de “produtos corriqueiros usados no dia-a-dia como ácidos cítrico ou corantes”, que os malefícios dos alimentos geneticamente modificados “não estão provados” e que “o gás é mais perigoso do que o micro-ondas”.

Os ‘mitos versus evidências científicas’ aflorados no encontro passaram ainda desde o bosão de Higgs à possibilidade de terem sido exageradas as medições da onda surfada na Nazaré pelo havaiano Garrett Macnamara (detentor do record da maior onda do mundo).

Até ao próximo encontro os céticos prometem desmascarar fraudes no seu sítio da Internet, além de premiarem com o galardão “Unicórnio voador” aqueles que contribuem para “a disseminação da pseudociência, da superstição e da desinformação”.

SAPO Saúde com Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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