Fim da ortopedia pediátrica em Coimbra põe em causa diferenciação e formação

Em 2012, aquele serviço teve 643 doentes internados
20 de fevereiro de 2013 - 16h51



Médicos do serviço de ortopedia pediátrica manifestaram esta quarta-feira no Parlamento a sua preocupação com a possível extinção daquele serviço no hospital de Coimbra, alertando que tal medida trará perdas ao nível da diferenciação, da formação médica e da produtividade.



Um regulamento interno, aprovado em 17 de dezembro de 2012 pelo conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC) e homologado pelo conselho diretivo da respetiva Administração Regional de Saúde, deixou aquele serviço fora da lista dos serviços médicos aprovada.



Com a eventual extinção deste serviço, fica posta em causa a sua autonomia técnico-científica e a atividade formativa de médicos naquela área, explicou Jorge Saraiva, diretor do departamento pediátrico.



“Queremos a manutenção do serviço de ortopedia pediátrica como serviço autónomo, como já existia”, afirmou, adiantando que com a sua extinção “perde-se diferenciação, perde-se massa crítica, perde-se experiência e perde-se autonomia, sem aumento de ganhos”, disse.



O Serviço de Ortopedia Pediátrica do CHUC foi criado pela Direção Geral da Saúde no início de 1995, prestando desde então atendimento tratamento diferenciado de crianças e adolescentes.



Em 2012, aquele serviço teve 643 doentes internados, 6.862 consultas externas, 2.552 primeiras consultas, 382 cirurgias programadas, 161 cirurgias urgentes e 7.929 atendimentos urgentes.



O corpo clínico conta atualmente com apenas cinco médicos, um dos quais – diretor de serviço – não faz urgências.



O serviço tinha oito médicos, mas um saiu já há algum tempo e dois aposentaram-se no ano passado, não tendo sido ainda substituídos, adiantou Jorge Saraiva.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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