Fim da consulta dirigida a homossexuais preocupa organizações não governamentais

A delegação nacional da organização Médicos do Mundo e o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos culpam o Ministério da Saúde pelo encerramento da consulta de doenças sexualmente transmissíveis no CheckpointLx, acusando-o de ignorar a importância do serviço.
créditos: AFP

Em comunicado, a delegação nacional dos Médicos do Mundo solidariza-se com o Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA (GAT), que gere o CheckpointLx, e denomina de “vergonhoso” o fim do financiamento à consulta por parte da Direção-geral de Saúde.

Na opinião dos Médicos do Mundo, o fim do financiamento “ignora a excelente performance desta consulta”, algo que “terá um forte impacto negativo na população muito vulnerável que servia”, no caso homens que têm sexo com outros homens.

Por outro lado, para a organização, o fim do financiamento demonstra que a tutela dá pouco valor ao papel das ONG [Organizações não-Governamentais] e pouca atenção às populações mais vulneráveis.

“Esta ‘pretensa poupança’, consistente com uma visão imediatista, retrógrada, tecnicamente desaconselhada e desfasada da realidade, revelar-se-á, a médio e longo prazo, através de impactos negativos no SNS [Serviço Nacional de Saúde], com custos substancialmente superiores àqueles que resultam de políticas que se caracterizam por ações de proximidade, como era o caso desta consulta”, defendem os Médicos do Mundo.

Prevenção oncológica

Igualmente em comunicado, o Movimento de Utentes do Serviço Público (MUSP) mostra “grande preocupação” com o encerramento da consulta Checklist, alegando que “não vislumbram os motivos para o fim” do financiamento, já que os resultados mostram mais de mil consultas feitas em três anos de funcionamento, e a deteção de mais de meia centena de jovens homossexuais em risco de cancro anal.

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