Faltam 700 enfermeiros nas Unidades de Cuidados na Comunidade no sul do país

Só no distrito de Lisboa, faltam 113 enfermeiros a trabalhar na comunidade
3 de julho de 2014 - 15h50



Um estudo da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros revela que faltam 700 enfermeiros nas Unidades de Cuidados na Comunidade (UCC), para garantir a resposta aos 4,4 milhões de pessoas residentes entre Santarém e o Algarve.



O estudo “Unidades de Cuidados na Comunidade: Presente com Futuro!”, que envolveu 89 UCC dos distritos de Lisboa, Santarém, Setúbal, Évora, Faro, Portalegre e Beja, decorreu em duas fases, em 2013, e teve como objetivos identificar as principais áreas de intervenção e monitorizar os indicadores de desempenho destas unidades.



Estas unidades prestam cuidados de saúde, apoio psicológico e social, no domicílio e na comunidade, às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis em situação de maior risco ou dependência física e funcional, atuando na educação para a saúde e na integração de redes de apoio à família.



Apesar da falta de recursos ser “notória para a população” abrangida por estas unidades, “a resposta é positiva e as taxas de eficácia são elevadas” nas populações que conseguem acompanhar, nomeadamente os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (91%), crianças e jovens em risco referenciadas (100%) e crianças e jovens com necessidades de saúde especiais (82%).



“Quando olhamos ao desempenho destas unidades, que têm enfermeiros especialistas em número suficiente, verifica-se que há um resultado positivo, nomeadamente no acesso a cuidados de saúde”, disse à agência Lusa o presidente da Secção Regional do Sul da Ordem dos Enfermeiros (OE), Alexandre Tomás.



Há, contudo, “uma capacidade de resposta limitada”, porque “há um défice gritante de enfermeiros nestas unidades”, sublinhou Alexandre Tomás.



A segunda fase do estudo, que decorreu em entre junho e dezembro de 2013, teve como base 44 Unidades de Cuidados na Comunidade, entre Santarém e o Algarve, que respondem a um universo de um 1,7 milhões de habitantes.



Para esta população, tendo por base o ratio de um enfermeiro para 5.000 pessoas, deveriam existir cerca de 357 profissionais, mas só existem 70, estando em falta cerca de 287 enfermeiros.

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