Falta de investimento nos meios de diagnóstico coloca em causa deteção de doenças

Atualmente, cerca de 70% das decisões clínicas são tomadas tendo por base os resultados de testes de diagnóstico, embora o investimento neste setor de atividade represente apenas 2% dos custos de saúde. Esta realidade é agravada pelos cortes orçamentais que visam reduzir as despesas para o Serviço Nacional de Saúde.
créditos: LUSA

Para debater esta realidade e analisar os desafios da gestão laboratorial no contexto do sistema de saúde nacional, cerca de uma centena de especialistas estarão reunidos no evento “Diagnostics Matters”, a decorrer a 16 de outubro, das 10h00 às 17h30, no Hospital-Escola da Universidade Fernando Pessoa, em Gondomar.

Mais do que um custo, os meios complementares de diagnóstico são um investimento que não deve ser descurado pelas entidades governamentais. Em alguns casos, o uso destes métodos permite reduzir 30-50% dos custos em internamento hospitalar e em gastos de ambulatório, por detetar as principais alterações no estado de saúde de um doente e permitir ajustar o tratamento.

"Nem sempre conseguimos estar perante uma situação em que é tão claro que com uma única orientação, se possam aumentar os ganhos em saúde e na sustentabilidade do SNS. Neste caso, a maior qualidade da informação dada por dispositivos, nomeadamente de diagnóstico, significa mais segurança, eficácia e menos custos numa ótica centrada no doente. Por isso alinha as perspetivas dos doentes, dos pagadores e da indústria, incluindo a nacional" salienta Francisco Rocha Gonçalves, Vogal do Conselho de Administração do Instituto Português de Oncologia do Porto.

"Os resultados dos testes e exames de diagnóstico são essenciais para definir o tratamento mais adequado, controlar a sua evolução, potenciando resultados terapêuticos mais seguros, e reduzir os custos com tratamentos futuros. Por estes motivos é evidente que um aumento de investimento neste setor de atividade traz benefícios clínicos e económicos, com impacto na qualidade de vida do doente e na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde", esclarece Fernando Araújo, Diretor de Serviço de Imunohemoterapia do Centro Hospitalar de S. João.

Alertar para a problemática da subvalorização do setor dos diagnósticos em Portugal e incentivar o investimento nesta área, através da aquisição de equipamentos de qualidade e que garantam resultados eficazes, são os objetivos deste evento que contará com a presença de especialistas que diariamente trabalham em prol da saúde da população.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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