Falta de clínicos por causa do ébola compromete partos em África

O Banco Mundial alertou que a perda de profissionais de saúde no combate à epidemia de ébola na África ocidental pode estar a aumentar as mortes de mulheres por complicações na gravidez e no parto.
créditos: EPA/AHMED JALLANZO

Há agora cerca de mais 4 mil mortes de mulheres por ano na Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa, os países mais atingidos pelo recente surto de ébola, informou o Banco Mundial num relatório que analisa o impacto da epidemia na Saúde.

"A perda de trabalhadores sanitários no surto de ébola pode elevar as mortes maternas até taxas de há 15 ou 20 anos", comentou Markus Goldstein, economista-chefe do Banco Mundial e co-autor do relatório, em comunicado.

Segundo o documento, dezenas de médicos, enfermeiros e parteiras morreram na sequência da epidemia, que já matou mais de 11.200 pessoas nos últimos 18 meses, a maioria delas na África ocidental.

Por exemplo, no mês de maio, 0,1 por cento de toda a população da Libéria tinha morrido de ébola. Porém, quando se fala em trabalhadores de saúde, essa taxa sobe para 8,1 por cento.

A perda de trabalhadores sanitários nestes países resultou no aumento das taxas de mortalidade no parto ou gravidez: mais 111 por cento na Libéria, 74 por cento na Serra Leoa e 38 por cento na Guiné-Conacri.

"O ébola enfraqueceu sistemas de saúde já muito frágeis", comenta David Evans, co-autor do relatório. "O impacto devastador de ébola deve ser catalisador para reforçar os sistemas de saúde", urge.

O relatório indica que, pelo menos, 240 trabalhadores de saúde têm de ser contratados imediatamente nos três países. De acordo com os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, os países precisam de mais 43.565 médicos, enfermeiros e parteiras para atingir a cobertura de saúde adequada, observou.

O relatório, "Mortalidade Profissional da Saúde e o Legado da Epidemia de Ébola", foi publicado na revista The Lancet Global Health, esta quinta-feira.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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