Exposição de fotografia mostra o mundo "em sentido inverso" visto pelos doentes internados

Os jornalistas Isabel Nery e Marcos Borga autobiografam a sua experiência nesta condição

Mostrar o mundo “em sentido inverso” é o objetivo da exposição “Vida interrompida”, dos jornalistas Isabel Nery e Marcos Borga, que apresentam “a perspetiva do doente” internado numa cama de hospital.

A ideia surgiu depois de Isabel Nery, jornalista da revista Visão, ter passado por problemas de saúde que a levaram ao internamento hospitalar. Quis revelar “a sensação de ver o mundo ao contrário” quando se é transportado numa maca e, para isso, aliou-se ao fotojornalista Marcos Borga, que tinha passado por uma situação semelhante.

Em declarações à Lusa, Isabel Nery explicou que, quando foi transportada do hospital de São Francisco para o Egas Moniz, em Lisboa, apercebeu-se da sensação de “ver o mundo ao contrário”.

“Estamos habituados a andar na vertical em pé, a ver o mundo de uma determinada maneira e, quando estamos deitados, parece um outro mundo”, contou, recordando que sítios por onde passava “quase todos os dias de repente não identificava”.

Para Isabel Nery, “aquela viagem simbolizava a perspetiva do doente que normalmente não é transmitida” e o sentimento de “fragilidade e insegurança”, porque “ser transportado de maca dá uma grande sensação de insegurança, tudo mexe”.

A exposição compila 20 fotografias de Marcos Borga, cada uma acompanhada por uma crónica de Isabel Nery. As imagens foram captadas a partir da maca de modo a mostrar aquilo que o doente vê e sente.

Marcos Borga disse à Lusa que esta “não é uma reportagem normal”, porque o objetivo “não foi reportar o que se estava a passar no hospital” mas sim “provocar situações”: “Pedimos aos auxiliares para andar connosco na maca nas urgências, nos elevadores, ir ao Raios-X, tirar análises clínicas”, contou.

Questionados sobre qual a foto que mais os marca, tanto Marcos como Isabel apontaram uma fotografia de “uma máscara de oxigénio e uma mão a entrar pela cara adentro em que a mascara é tão grande como a mão”, relatou o fotojornalista.

No final da exposição, contou Marcos Borga, está uma maca com duas fotografias, “uma pendurara sobre a maca e outra pendurada na parede da maca”. “São duas imagens de bloco operatório e as pessoas podem ouvir uma crónica [escrita por Isabel Nery] lida pelo Fernando Alves, da TSF, disse, explicando que “os visitantes são convidados a deitar-se na maca” e ter as sensações de quem está numa cama de hospital.

A exposição, também disponível em inglês, pode ser vista a partir de quinta-feira na Casa de Santa Maria, em Cascais, e até 12 de Maio. A entrada é livre.

13 de abril de 2011

Fonte:LUSA/SAPO

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