Excesso de doentes na urgência de Coimbra está a esgotar médicos

O excesso de doentes na urgência do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) tem contribuído para o esgotamento físico e mental dos médicos, levando muitos destes profissionais a abandonarem-na assim que encontram uma alternativa.
créditos: PAULO NOVAIS / LUSA

A convicção é de João Porto, internista do CHUC e presidente do III Congresso Nacional da Urgência, que se realiza no sábado e no domingo em Coimbra, tendo como um dos temas de destaque “O burnout associado à urgência”.

O médico disse à agência Lusa que, à semelhança do que acontece em Coimbra, “a maior parte dos serviços de urgência do país tem um volume de doentes muito maior do que deveria para a sua capacidade de resposta”.

“Por exemplo, o nosso serviço de urgência está dimensionado para receber entre 250 a 300 doentes por dia e recebe uma média de 450 a 470. No inverno, chega a ultrapassar os 600 doentes, nos dias piores”, referiu, acrescentando que, na zona de Lisboa, há situações ainda mais graves.

Veja ainda: 15 coisas que tem de saber para não enlouquecer

Leia tambémEste ssão os 15 problemas de saúde mais embaraçosos

Na sua opinião, esta situação “rebenta com tudo, causa um excesso de volume de trabalho nos profissionais de saúde, particularmente nos médicos, e leva a situações de ‘burnout’”.

João Porto explicou que isso leva à procura “de especialidades que não tenham urgências” e a que os profissionais que trabalham nestes serviços tentem abandoná-los.

“Principalmente nas especialidades que fazem muitas urgências, como é o caso da Medicina Interna, assim que atingem a idade em que podem deixar de fazer noite ou de fazer urgência deixam de fazer”, contou.

Comentários