Eutanásia para menores volta à discussão na Bélgica

Bélgica registou 1.432 eutanásias em 2012, cerca de 2% do total de mortes.
6 de novembro de 2013 - 17h12



O debate sobre a eutanásia em menores de idade na Bélgica, um dos poucos países que a autorizam para os adultos, voltou a rebentar esta quarta-feira com o apelo de um grupo de pediatras à mudança da lei e com a oposição dos chefes religiosos, que alertam para a banalização da morte medicamente assistida.



Uma carta aberta publicada na imprensa por um grupo de 18 pediatras pede que os deputados belgas legislem sobre uma prática que já ocorre mesmo fora da lei.



"Cada decisão de fim de vida é um ato de humanidade que só deve ser levantado em última instância. Por que privar os menores desta última possibilidade?", perguntaram os pediatras na missiva.



"A experiência mostra-nos que, em caso de doença grave e morte iminente, os menores desenvolvem muito rapidamente uma grande maturidade, a tal ponto que às vezes podem expressar-se melhor sobre a vida do que as pessoas mais velhas que gozam de boa saúde", indicam.



Os deputados belgas estão divididos sobre a extensão da lei de 2002 que autoriza a eutanásia na Bélgica nas pessoas mais velhas conscientes aos menores de 18 anos e às pessoas que sofrem de Alzheimer.



Os especialistas ouvidos pelo Parlamento afirmaram que a eutanásia em menores já é praticada fora do âmbito legal.



Os representantes das principais religiões publicaram esta quarta-feira um comunicado comum para que a sua voz seja ouvida "neste debate que envolve toda a sociedade".



"Expressamos a nossa forte inquietação diante do risco da banalização crescente de uma realidade tão grave", indicam os chefes da Igreja católica, protestante e ortodoxa, assim como a comunidade judaica e muçulmana.



"Propor que os menores possam decidir sobre a sua própria eutanásia é uma maneira de falsear a sua faculdade de julgamento e, a partir daí, a sua liberdade", escrevem.



Bélgica registou 1.432 eutanásias em 2012, cerca de 2% do total de mortes.



SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários