Estudo vai analisar comportamentos de sonolência dos condutores europeus

Principal causa de sonolência é a privação de sono, mas a medicação sedativa também pode contribuir
17 de julho de 2013 - 16h34



Os hábitos de sono dos condutores europeus vão ser estudados num inquérito que abrange Portugal, associado a uma campanha de alerta para o perigo da sonolência, quando se conduz um veículo, disse hoje a coordenadora do projeto.



O projeto europeu, uma iniciativa da Sociedade Europeia do Sono, integra a realização do inquérito, uma campanha de sensibilização e um seminário, a ter lugar em Bruxelas, para chamar a atenção dos responsáveis políticos sobre o problema dos acidentes rodoviários causados pelo sono.



"A campanha europeia inicia-se em outubro, no Porto, acaba em Bruxelas, envolve 15 países, e o estudo pan europeu tem 20 perguntas sobre hábitos de sono e caracterização dos acidentes por sonolência", contando com a participação de 18 países, explicou à agência Lusa Marta Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Sono e coordenadora do projeto, juntamente com um italiano e um sueco.



O inquérito é lançado na quinta-feira, em Portugal, e todos os condutores portugueses são convidados a responder através de um acesso online.



Não existem muitos dados sobre as situações de sono ao volante, os acidentes que provocam e as mortes que causam, mas "estatísticas internacionais apontam para que 20% dos acidentes tenham a sonolência por trás".



Um estudo de 2011, feito pela Associação Portuguesa de Sono, "revela que 0,67% dos condutores portugueses tinham tido acidentes [por adormecimento] o que, atendendo ao número da população que é condutora, dará um valor de cerca de 47 mil acidentes, por adormecer ao volante", lembrou a presidente da Associação Portuguesa de Sono.



"Vamos comparar neste estudo europeu como estão os vários países em ternos de sono ao volante e acidentes por sonolência", apontou, acrescentando que o trabalho é muito focado nestes acidentes e na caracterização das pessoas que adormeceram ao volante e tiveram desastres, em consequência disso.



A especialista disse que, normalmente, os acidentes por sonolência, "como não há defesa do condutor, têm uma alta mortalidade e o conduzir sonolento tem mais riscos de erros ao volante, mesmo antes de adormecer".



A principal causa de sonolência ao volante é a privação de sono, mas a medicação sedativa também pode contribuir, assim como algumas patologias de sono que condicionem a sonolência durante o dia.



Sinais como bocejar, os olhos a arder ou dificuldade em mantê-los abertos, ver desfocado ou ter falhas de atenção devem servir de alerta para quem está a conduzir um automóvel.



"Os condutores profissionais são um grupo de risco porque têm períodos prolongados de condução, percorrem distâncias longas, a maior parte em autoestrada, o que é monótono e leva a mais sonolência, e conduzem frequentemente durante a noite, [o que] aumenta o risco de acidente em cinco a seis vezes", acrescentou Marta Gonçalves.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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