Estudo da regeneração da medula espinal no peixe zebra ajuda a conhecer humanos

O projeto está a decorrer há cerca de dois anos e deverá apresentar os primeiros resultados em 2014
17 de outubro de 2013 - 11h55



Uma investigadora portuguesa está a estudar a capacidade do peixe zebra de regenerar as células da medula espinal em caso de lesão, permitindo-lhe voltar a movimentar-se, com o objetivo de melhorar o conhecimento do processo nos humanos.



"Quando fazemos uma lesão no peixe zebra, ele fica paralisado, mas passado cerca de um mês volta a nadar normalmente, ou seja, há qualquer coisa que o peixe zebra tem que nós não temos que permite regenerar a sua medula espinal", explicou hoje à agência Ana Ribeiro.



A cientista definiu como tema para o seu pós doutoramento a compreensão do processo de regeneração da espinal medula do peixe zebra, após uma lesão, um trabalho que está a desenvolver no Instituto de Medicina Molecular.



Quanto à escolha desta espécie, tem que ver com o facto de, por ser um animal vertebrado, ter características parecidas com os humanos.



"A ideia é tentar utilizar o peixe zebra para perceber que mecanismos estão a funcionar na medula espinal e se poderemos no futuro aproveitar este conhecimento para melhorar a regeneração da medula espinal nos humanos", salientou Ana Ribeiro.



A regeneração da medula espinal, nos humanos como no peixe zebra, relaciona-se com "processos muito complexos e não vai ser só uma coisa que vai ajudar a resolver as lesões", advertiu.



"Estamos a tentar perceber que tipo de células são ativas na medula do peixe zebra, que conseguem gerar diferentes tipos de neurónios ou diferentes tipos de células da medula espinal, uma coisa que não acontece nos humanos", resumiu a investigadora.



O peixe zebra consegue criar novas células, mas também restabelecer contacto abaixo e acima da lesão, o que os mamíferos não fazem.



Ana Ribeiro referiu ainda que as células do peixe zebra são muito mais simples, mas existem semelhanças com os mamíferos, nomeadamente com ratinhos, e o próximo passo da investigação será experimentar nestes animais as células identificadas.



O projeto está a decorrer há cerca de dois anos e deverá apresentar os primeiros resultados em 2014.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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