Estudo da reforma do Estado dá prioridade a cuidados de saúde para idosos

Estudo começa em fevereiro
23 de janeiro de 2013 – 09h12



O responsável pelo estudo da Gulbenkian sobre a reforma do Estado defende uma maior atenção às doenças da velhice por considerar ser este o maior problema do Sistema Nacional de Saúde português.



Nigel Crisp, responsável pelo sistema britânico de saúde pública entre 2000 e 2006, foi convidado pela Fundação Calouste Gulbenkian para liderar uma equipa que vai analisar o futuro da saúde em Portugal.



Embora refira que “o estudo ainda não começou”, Nigel Crisp identifica as doenças ligadas à velhice como “o maior problema” dos sistemas públicos de saúde, não só em Portugal como noutros países.



"Portugal, como todos os países do ocidente, está a viver um grande crescimento das doenças de longo prazo, que estão a afetar particularmente os mais idosos, como o cancro, a hipertensão, os problemas cardíacos e o diabetes”, afirmou em entrevista à Lusa.



“O sistema de saúde precisa mudar para conseguir oferecer mais serviços domiciliários e na comunidade, em paralelo aos hospitais”, avançou.



“O SNS português fez excelentes progressos nos últimos 40 anos e conseguiu melhorar bastante, particularmente no que concerne à saúde de bebés e crianças. Isto é uma conquista tremenda. Agora é preciso conseguir melhorias semelhantes no tratamento dos mais velhos”, considera Nigel Crisp.



O especialista afirmou que a equipa que irá estudar a reforma da Saúde vai focar-se na “prevenção de doenças, em aumentar as estruturas de cuidados primários nas comunidades, em melhorar a tecnologia e num envolvimento maior entre doentes e cidadãos”.



Segundo Nigel Crisp, o estudo será lançado no início de fevereiro, devendo ser divulgado um relatório preliminar daqui a um ano.



Apesar de a análise coincidir com a necessidade de refundação do Estado – para cortar quatro mil milhões de euros nas despesas públicas – anunciada pelo Governo, Nigel Crisp garante que o SNS teria de mudar mesmo que não houvesse esta premissa para o tornar “sustentável no longo prazo”.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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