Estudo aponta relação entre ansiolíticos e maior risco de Alzheimer

Benzodiazepinas desenvolvem efeitos secundários de ordem cognitiva
10 de setembro de 2014 - 09h33



A utilização de certos tranquilizantes e soporíferos da família das benzodiazepinas por longos períodos de tempo pode aumentar o risco de desenvolver a Doença de Alzheimer, revela um estudo internacional publicado esta quarta-feira.



Durante seis anos, os investigadores analisaram 1.796 casos de Alzheimer reportados num programa canadiano de assistência médica e compararam os dados com informações de 7 mil pessoas do mesmo sexo e idade, mas com boa saúde.



No estudo, publicado no site do British Medical Journal, os investigadores concluíram que o consumo de benzodiazepinas durante mais de três meses está associado a um maior risco maior de sofrer de Alzheimer, que pode chegar aos 51%.



O risco, refere o estudo, está associado à duração do tratamento e à utilização de benzodiazepinas cujo efeito é mais prolongado.



Os autores da investigação, entre os quais cientistas do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM) de França e da Universidade de Montreal, destacaram que os resultados "reforçam a suspeita de um vínculo direto" entre o consumo de benzodiazepinas e a Doença de Alzheimer, que ainda tem de ser confirmado.



As benzodiazepinas constituem "incontestavelmente ferramentas preciosas para tratar a ansiedade e a insónia temporárias", mas os tratamentos devem ser de curta duração e "não ultrapassar os três meses", destacam os especialistas.



Os resultados do estudo vão na mesma direção das advertências lançadas pelas autoridades de saúde de vários países sobre a utilização de benzodiazepinas, especialmente em pessoas mais velhas, devido aos efeitos secundários de ordem cognitiva.



Segundo a agência francesa de segurança de medicamentos (ANSM), 11,5 milhões de franceses consumiram pelo menos uma vez a benzodiazepina no ano de 2012, entre os quais 7 milhões por ansiedade e 4,2 milhões por transtornos do sono.



Os consumidores tinham, em média, 56 anos e quase dois terços eram mulheres. Entre o grupo feminino, um terço estava acima dos 65 anos.



A demência afeta cerca de 36 milhões de pessoas no mundo, uma quantidade que se prevê que duplique de 20 em 20 anos à medida que a esperança de vida aumenta e os nascidos na bolha demográfica do "baby boom" envelhecem.



Por SAPO Saúde/AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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