Estudo alerta para mau uso de dupla mastectomia no cancro da mama

Mulheres com nível educacional mais elevado são mais propensas à matectomia profilática
22 de maio de 2014 - 08h01



As mulheres diagnosticadas com cancro em uma das mamas costumam confrontar com a difícil decisão de remover ou não ambas e um estudo publicado na quarta-feira mostra que as mastectomias duplas podem ser realizadas com frequência a mais.



A cirurgia não aumenta a sobrevivência na maior parte das mulheres e é tipicamente recomendada para cerca de 10% daquelas consideradas com alto risco de desenvolver um cancro de mama.



Das mulheres que se submeteram à cirurgia para remover a mama saudável, 69% não apresentavam grandes fatores de risco familiares ou genéticos, destacou o estudo, publicado no Jornal da Associação Médica Americana.



Enquanto isso, apenas um quarto das mulheres que correm um risco maior de desenvolver cancro no futuro tiveram a recomendação de remover as duas mamas, uma operação conhecida como mastectomia profilática.



As mulheres com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 ou que têm um forte histórico familiar de cancro de mama costumam ser aconselhadas a remover as duas mamas após a doença ser diagnosticada num dos peitos, para evitar a recorrência.



"As mulheres parecem estar a basear-se na preocupação da recorrência do cancro para optar pela mastectomia profilática", disse a principal autora do estudo, Sarah Hawley, professora associada de medicina interna da Escola Médica da Universidade de Michigan.



"Não faz sentido, porque ter uma mama não afetada removida não reduzirá o risco de recorrência na mama afetada", disse Hawley.



A pesquisa tomou como base uma amostra de 1.447 mulheres norte-americanas, com uma média de 59 anos, que foram diagnosticadas com cancros no estágio de 1 a 3 em apenas uma das mamas.



Cerca de 8% das mulheres tiveram as duas mamas removidas, 35% tiveram apenas a mama afetada removida e quase 58% fizeram uma cirurgia de conservação da mama, na qual apenas o tumor é retirado.



Os cientistas descobriram que as mulheres com nível educacional mais elevado eram mais propensas a optar pela mastectomia profilática e que o principal fator que pesou na decisão foi a preocupação de que a doença pudesse vir a aparecer na mama saudável.



Por SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários