Estudantes de Medicina do Algarve suspendem greve às aulas

Direção do Mestrado Integrado de Medicina da Universidade do Algarve demitiu-se na quinta-feira
23 de outubro de 2013 - 07h55



Os estudantes do Mestrado Integrado de Medicina da Universidade do Algarve suspenderam a greve às atividades letivas, iniciada na segunda-feira, disse hoje à Lusa um dos estudantes que promoveram a paralisação.



“O reitor demonstrou boa vontade e fez cedências com vista à convergência de interesses de todas as partes - reitoria, alunos e direção - e tudo ficou resolvido e sanado a favor dos alunos e da direção”, disse hoje à Lusa um dos alunos de Medicina, que esteve em greve, em solidariedade com a demissão em bloco da direção do curso de Medicina.



A direção do Mestrado Integrado de Medicina da Universidade do Algarve demitiu-se em bloco na quinta-feira passada, após um “longo período de tentativas de resolução da situação”.



A diretora demissionária, Isabel Palmeirim, acusou, em conferência de imprensa, o reitor da instituição de “condicionar” a autonomia pedagógica e científica do curso e disse haver “abutres” a quererem mandar na formação.



O argumento para apresentar a demissão ao reitor da Universidade do Algarve, João Guerreiro, foi o de que o responsável realizou um acordo com o Centro Hospitalar do Algarve que “condiciona a autonomia pedagógica e científica” daquele mestrado integrado (designação dada ao curso de Medicina).



Todos os médicos de família que lecionam no mestrado em Medicina da Universidade do Algarve e uma grande parte dos médicos do Hospital de Faro também ponderaram apresentar demissão caso o reitor mantivesse a “cláusula da discórdia”.



“Caso o reitor não recue, todos os médicos de família que lecionam no curso e pelo menos uma grande parte dos médicos do Hospital [de Faro] apresentarão a sua demissão em solidariedade com a posição da direção”, disse no dia 21 de outubro à Lusa Filipe Gomes, médico interno de Radiologia no Hospital de Faro e assistente convidado no mestrado em Medicina.



O reitor da Universidade do Algarve disse aos jornalistas, por seu turno, que o protocolo é o mesmo do passado e que a autonomia pedagógica e científica não está em causa, classificando a demissão como um “flop”.



O reitor asseverou, contudo, que “nunca houve qualquer interferência nessa autonomia” e frisou que “todas as iniciativas da universidade em relação ao exterior têm iniciativa da própria universidade”.



O curso de Medicina do Algarve tem atualmente perto de 150 alunos e já se formaram 29 médicos desde que abriu, em 2009.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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