Estar de pé (em vez de sentado) melhora a saúde do coração

O simples facto de ficar em pé em vez de sentado pode contribuir para nos manter em boa saúde, segundo um estudo publicado esta sexta-feira na revista da Sociedade Europeia de Cardiologia, o European Heart Journal.
créditos: PixaBay

Estar de pé melhora os níveis sanguíneos de colesterol, gordura e açúcar, todos marcadores biológicos dos riscos cardiovasculares. Passar mais tempo de pé e caminhar também têm um efeito benéfico sobre a circunferência abdominal e o índice de massa corporal, lê-se no estudo.

"Inúmeras investigações mostraram que a atividade física reduz a mortalidade total, os acidentes cardiovasculares, o diabetes tipo 2 (o mais frequente), a obesidade e diversos tipos de cancro", relembra o professor Francisco Lopez-Jimenez da Mayo Clinic, no Minnesota, Estados Unidos, num comentário que acompanha o artigo.

Mas "a luta contra o sedentarismo não pode reduzir-se a conselhos para fazer exercício regularmente", escreve o médico, acrescentando que é igualmente importante promover comportamentos não sedentários na vida diária.

"Uma pessoa que caminha duas horas até o trabalho, que fica de pé durante quadro horas e que faz mais uma hora em tarefas de casa, queima mais calorias do que se estiver a correr durante uma hora", explicou, evocando especialmente o interesse de colocar à disposição dos trabalhadores esteiras e adaptar os escritórios para permitir trabalhar de pé ou sentado.

Investigadores australianos equiparam com marcadores de atividade 782 homens e mulheres, com idades entre os 36 e os 80 anos, para determinar precisamente quanto tempo cada um passava a dormir, andar ou a correr ou ficava sentado, deitado ou de pé.

Uma diminuição das gorduras sanguíneas (triglicerídeos) e um aumento do "bom" colesterol foram observados sobretudo quando relacionados com uma redução do tempo em que permaneciam sentado.

A redução do tamanho da circunferência abdominal e do IMC só se mostrou significativa quando combinada com a caminhada ou corrida, ressaltam os autores da análise.

Ao substituir todos os dias duas horas sentadas por uma caminhada, o tamanho da cintura diminuiu em média cerca de 7,5 cm e o IMC 11%.

"A nossa mensagem é: 'levantem-se, fiquem menos tempo sentados e mexam-se mais'", afirmou a médica Genevieve Healy da Universidade de Queensland, na Austrália, que dirigiu o estudo.

Na Europa, os adultos são muito sedentários: em média passam 3,2 a 6,8 horas por dia sentados, lê-se neste mesmo estudo.

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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