Especialistas em doenças autoimunes querem garantir assistência a doentes sem aumentar custos

A doença autoimune mais frequente é a artrite reumatoide, que atinge cerca de 100 mil portugueses
10 de abril de 2013 - 17h27



Mais de 200 especialistas em doenças autoimunes reúnem-se até sábado em Vilamoura para analisar as melhores práticas médicas para garantir os tratamentos adequados e a assistência aos doentes sem aumentar os custos, numa altura de dificuldades económicas.



“Estamos a falar de terapêuticas muito caras e têm um peso específico orçamental que não é pequeno, por isso têm que ser muito bem utilizadas. Se forem aplicadas corretamente, nos doentes certos, com boas práticas, não aumentaremos os custos. Se forem utilizados de forma incorreta e em situações que não estão bem estabelecidas, aí as coisas podem cair em algum tipo de exagero que não seria correto”, disse à Lusa António Marinho, presidente do Congresso Nacional de Autoimunidade.



O presidente do Congresso acrescentou que, “em tempo de crise”, é importante que os médicos saibam “como se pode continuar a tratar estes doentes sem diminuir a qualidade assistencial”, e considerou que isso “só se consegue melhorando as boas práticas”.



“Quando são utilizados corretamente os instrumentos que temos e utilizamos as coisas com boas práticas, a medicina é melhor praticada e tem menor custo. E este é um dos pontos mais importantes deste congresso”, reiterou.



António Marinho frisou que as doenças autoimunes “são sistémicas” e têm prevalência na população portuguesa, sendo a mais frequente a artrite reumatoide, que atingirá "cerca de 100 mil portugueses”, seguindo-se a lúpus, com “entre 10 a 15 mil doentes em Portugal”.



“Depois, todas as outras doenças andarão com números inferiores, porque são mais difíceis e raras”, acrescentou, referindo-se a um conjunto de cerca de uma centena de doenças autoimunes que são pouco frequentes.



António Marinho disse que estas doenças têm, no entanto, “muito peso específico a nível institucional”, porque afeta “doentes crónicos, que precisam de tratamentos prolongados e de acompanhamento a nível hospitalar no Serviço Nacional de Saúde”, o que faz com que o seu peso seja importante ao nível financeiro, uma vez que “os tratamentos são caros”.



Outro dos pontos apontados pelo presidente do Congresso prende-se com “a dificuldade de diagnóstico”, que se justifica “pelo facto de, por serem doenças menos comuns, serem menos conhecidas quer da comunidade em geral quer da comunidade médica”.



Por isso, António Marinho alertou para a necessidade de a população procurar especialistas caso existam “queixas articulares inflamatórias, com uma grande rigidez e com as articulações inflamadas ao acordar de manhã, cansaço demasiado, febres persistentes, anemias, emagrecimentos ou aftas”.



“Tudo isto pode levantar a hipótese de uma doença sistémica autoimune. Por isso, procurem médico assistente quando têm sintomas sistémicos ou localizados na articulação”, acrescentou.



A sessão de abertura do congresso, agendada para hoje, conta com a participação do diretor-geral de Saúde, Francisco George.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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