Especialistas discutem doenças tropicais a partir de hoje em Lisboa

Tema é saúde em África e no congresso participam 5 diretores de faculdades de medicina africanas
22 de abril de 2013 - 09h40



Cerca de 300 médicos e cientistas reúnem-se hoje e terça-feira em Lisboa para discutir doenças tropicais, atentos aos recentes surtos na Europa de doenças como o dengue e a chickungunya.



O II Congresso Nacional de Medicina Tropical começa hoje, quase 60 anos depois do primeiro, que aconteceu em 1952 para assinalar o cinquentenário do então Instituto de Medicina Tropical, contou à Lusa o diretor da instituição, hoje Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).



Além de marcar o encerramento das comemorações dos 110 anos do instituto, este segundo congresso tem dois propósitos: um objetivo científico, que passa mais por avaliar o trabalho que está feito e definir prioridades de investigação do que por anunciar descobertas novas, e um objetivo pedagógico, no sentido de esclarecer a opinião pública, assumiu Paulo Ferrinho.



"A mensagem [que queremos passar] é que as doenças tropicais não estão só nos trópicos, estão à nossa beira", disse o diretor.



"Se olharmos a realidade no mundo e, em particular na Europa, vemos que doenças tropicais que têm estado ausentes da Europa há muito tempo, como o chickungunya (doença febril que dá dores articulares fortes), o paludismo e o dengue, são doenças que nos visitam cada vez mais, não só através dos viajantes e migrantes, mas também em pequenos focos que já vão acontecendo (...) sobretudo nos países mediterrânicos", disse.



Pouco mais de um mês depois de a Direção-Geral da Saúde considerar controlado o surto de dengue que afetou a Madeira desde outubro, Paulo Ferrinho não escondeu a preocupação dos cientistas: "Mais cedo ou mais tarde vamos ter de pensar novamente em programas de controlo de doenças tropicais na Europa".



O tema global do congresso é a saúde em África e nele participam cinco diretores de faculdades de medicina africanas, bem como representantes de todos os institutos nacionais de saúde dos países lusófonos.



Para Paulo Ferrinho, o ponto alto do evento deverá ser a intervenção do diretor regional para África da Organização Mundial de Saúde, o angolano Luís Sambo.



O IHMT irá anunciar durante o congresso a realização em 2015 do próximo Congresso Nacional de Medicina Tropical, que deverá passar a ser um evento bienal.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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