Especialista defende simuladores na aprendizagem dos estudantes de medicina

A diretora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), Maria Amélia Ferreira, defendeu hoje a obrigatoriedade de os profissionais de saúde serem treinados com simuladores.
créditos: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

“Não há a necessidade de introduzir a simulação como disciplina, mas há a necessidade de introduzir este instrumento em todas as unidades curriculares, ou quase todas, para que haja uma aprendizagem de competências, quer técnicas como de comportamento”, afirmou Maria Amélia Ferreira à Lusa, a propósito do III Congresso da Sociedade Portuguesa de Simulação Aplicada às Ciências da saúde, que decorrerá esta semana no Porto.

Para a responsável, com a simulação, os estudantes são colocados perante situações práticas, tendo a possibilidade de treinar a aquisição de determinada competência.

“Esta possibilidade faz com que seja possível admitir o erro e corrigi-lo, e ao mesmo tempo não causar incómodo nem riscos para os doentes, nem para os próprios estudantes”, sustentou.

Maria Amélia Ferreira afirmou que “os profissionais de saúde não se podem confrontar pela primeira vez com situações que possam ser exercitadas ou treinadas antes em cenários”.

“Temos de algum modo, alguma vez, que lhes dar a possibilidade de se poderem confrontar com situações que terão que ser resolvidas, mesmo sendo raras e mesmo sendo feitas às vezes em contextos adversos”, disse, acrescentando que “esta obrigatoriedade é tanto mais importante quanto é obrigatório ao piloto de avião fazer o seu treino de simulação”.

Aprender a reanimar um recém-nascido

Maria Amélia entende que há competências que devem ser ensinadas, aprendidas e avaliadas em meio controlado e seguro, através da simulação, por exemplo o saber dar uma má notícia da morte de um familiar ou o saber reanimar um recém-nascido.

“Eu não posso esperar que haja necessidade de fazer uma reanimação neonatal a 350 recém-nascidos para os meus 350 alunos poderem treinar, mas eles têm de saber fazer isto”, sustentou.

A responsável apontou a simulação como sendo também importantíssima para o “treino de equipas multidisciplinares”.

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