Epidemia de opioides nos Estados Unidos está a atingir comunidade portuguesa

A epidemia de opioides e heroína que atravessa os Estados Unidos afeta de forma grave a comunidade portuguesa de Massachusetts, garantem líderes comunitários.
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"Esta epidemia afeta muito a nossa comunidade, em cidades como New Bedford, Fall River, Tautnon. Pessoas de todas as idades, desde adolescentes até pessoas com 60 anos, e de todos os estratos sociais", disse à Lusa Connie Mimoso, diretora de serviços na Fundação Seven Hills que presta apoio a estas populações em Massachusetts.

A diretora do Centro de Apoio ao Imigrante de New Bedford, Helena da Silva Hughes, confirma que "a epidemia de droga está a afetar a comunidade de falantes de português, assim como as outras comunidades". "Infelizmente, devido a barreiras de língua e falta de informação sobre o assunto em português, muitos pais não se apercebem de que os filhos estão a usar drogas durante muito tempo e quando descobrem eles já estão a usar heroína", diz Hughes.

As responsáveis descrevem um padrão que se tornou a regra em todo o país: as vítimas começam a usar medicamentos para dores muito poderosos apenas disponíveis por prescrição médica, ficam dependentes, e quando os médicos deixam de os prescrever viram-se para a heroína, mais barata. "Comprar estes medicamentos no mercado negro pode custar entre 100 a 500 dólares por dia, tenho pacientes que estavam a gastar 500 dólares por dia. Uma dose de heroína para um dia pode ser comprado por 20 ou 30 dólares", compara Connie Mimoso.

A especialista disse que os portugueses "ainda tentam lidar com o problema de forma muito fechada, no seio da família, e quando procuram ajuda já é em estados muito avançados da doença".

Em 2015, mais de 52 mil norte-americanos morreram de overdose, 33 mil dos quais de opioides, um aumento de 23 por cento em relação ao ano anterior.

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