Ensaios clínicos caem 26% em seis anos, apesar de gerarem riqueza

Taxa de ensaios clínicos em Portugal encontra-se entre as mais baixas da Europa Ocidental
18 de junho de 2013 - 15h05



O número de ensaios clínicos em Portugal caiu 26% nos últimos seis anos, apesar de esta ser considerada uma das atividades com maior retorno de investimento, tendo gerado 72 milhões de euros de riqueza para o país em 2012.



Estes dados foram hoje divulgados num estudo da Associação Portuguesa da Industria Farmacêutica (Apifarma) sobre ensaios clínicos, que analisa esta atividade a nível nacional, identifica os principais constrangimentos ao seu desenvolvimento e propõe iniciativas para os evitar.



De acordo com a Apifarma, o número de ensaios clínicos submetidos em Portugal entre 2006 e 2012 caiu 26%, de 160 para 118, tendo o mínimo histórico sido alcançado em 2011, com apenas 88 estudos.



Além disso, a taxa de ensaios clínicos por milhão de habitantes em Portugal encontra-se entre as mais baixas da Europa Ocidental, acrescenta o estudo, sublinhando que esta é, contudo, uma das atividades mais geradoras de riqueza.



Segundo a indústria, só em 2012, o investimento realizado pelas empresas farmacêuticas multinacionais de I&D (investigação e desenvolvimento) em ensaios clínicos atingiu o valor de 36 milhões de euros, contribuindo adicionalmente para uma poupança da despesa pública em medicamentos e meios complementares de diagnóstico no valor 3,5 milhões de euros.



Nesse mesmo ano, a análise dos dados de empregabilidade revelou a existência de mais de mil postos de trabalho dedicados aos ensaios clínicos.



A Apifarma revela que a atividade de ensaios clínicos foi responsável por um VAB (Valor Acrescentado Bruto) global de 72 milhões de euros em 2012, e que por cada euro investido se estima que haja um retorno de 1,98 euros no total da economia portuguesa, sendo assim “uma das atividades com maior retorno de investimento do país”.



A indústria farmacêutica justifica esta queda dos ensaios clínicos no país com uma série de “barreiras”, como a ausência de uma visão estratégica, refletida num quadro legislativo e regulamentar pouco eficiente e na desadequação das infraestruturas disponíveis face à exigência da atividade.



Estes fatores têm levado “Portugal a perder competitividade neste setor, nomeadamente quando comparado com alguns países emergentes”, salienta.



Para fazer face a estes constrangimentos, a Apifarma insta o Ministério da Saúde a pôr o tema na agenda e a criar um plano estratégico para o setor, que crie condições atrativas para a captação de ensaios clínicos.



Além disso sugere que seja revista a atual legislação, por forma a reduzir o tempo entre a submissão do pedido do ensaio e o início do recrutamento.



A indústria propõe ainda que se capacitem os centros de ensaio para a realização desta atividade e que sejam criados modelos de incentivo para envolver investigadores e outros profissionais nos ensaios clínicos.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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