Enfermeiros alertam para aumento de infeções hospitalares por falta de desinfetantes

Há ainda falta de material básico como agulhas, seringas, luvas, fraldas ou lençóis
4 de abril de 2014 - 14h28



O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) alertou hoje para a probabilidade de aumento do risco de transmissão de infeções hospitalares devido à falta de desinfetantes para superfícies e para as mãos, material que falta frequentemente nas unidades.



"Um maior número de doentes, um menor número de enfermeiros e esta falta de desinfetantes podem levar ao aumento da transmissão de infeções hospitalares", alertou Nuno Manjua, da direção regional de Faro do SEP, lembrando que em 2011 ocorreram 11.357 mortes associadas a infeções hospitalares, que representam 24% dos óbitos ocorridos nos hospitais por todas as doenças.



Em conferência de imprensa, aquele responsável disse ainda que há falta de material básico - como agulhas, seringas, luvas, fraldas ou lençóis -, de medicamentos, entre os quais, antibióticos, analgésicos e medicação para doentes oncológicos, e a existência de equipamento obsoleto, como é o caso dos endoscópios (aparelhos que permitem ver o interior do organismo).



"Tudo isto é uma mistura explosiva que tem consequências para os doentes na diminuição da qualidade e segurança dos cuidados prestados e que se traduz em menor disponibilidade dos enfermeiros e maior probabilidade de feridas nos acamados, quedas, erros de medicação e aumento da probabilidade de transmissão de infeções hospitalares", resumiu.



Mais doentes, mas menos enfermeiros



Segundo Nuno Manjua, tem-se registado nas unidades hospitalares algarvias um aumento do número de doentes internados por serviço, sem que isso seja acompanhado pelo reforço de enfermeiros, como é o caso da unidade de Portimão, em que os antigos refeitórios foram substituídos por enfermarias, sem aumento do número de enfermeiros.



Como exemplos, referiu os serviços de Ortopedia e Cirurgia 3 A de Portimão e os serviços de Medicina 3 e Oncologia em Faro, acrescentando que há necessidade, no Algarve, de 350 enfermeiros, no conjunto dos hospitais e unidades de saúde primárias.

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