Elevado uso de tranquilizantes é “problema de saúde pública”, diz Infarmed

A venda de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos aumentou 6%
21 de fevereiro de 2014 - 10h01
Apesar dos alertas repetidos nos últimos anos, a utilização de medicamentos ansiolíticos, sedativos e hipnóticos continua muito elevada em Portugal, segundo as conclusões de um estudo que analisou o consumo dos psicofármacos em Portugal Continental entre 2000 a 2012.
Cláudia Furtado, especialista da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), defende que este é “um importante problema de saúde pública”, cita a edição desta quinta-feira do jornal público. “Os valores elevados de consumo podem significar que os tratamentos são mais prolongados do que o indicado”, diz Cláudia Furtado, do Gabinete de Estudos e Projetos do Infarmed.
Ao longo deste período, o que aumentou no grupo dos psicofármacos foi a utilização de antidepressivos e de antipsicóticos, revela este estudo divulgado na quarta-feira. 
Entre 2000 e 2012, o consumo de antidepressivos calculado em doses diárias por mil habitantes mais do triplicou e o de antipsicóticos cresceu 170%. A venda de ansiolíticos, sedativos e hipnóticos (vulgarmente designados tranquilizantes) aumentou 6%, mas este continua a ser o subgrupo com maior utilização em Portugal (96 doses diárias por mil).
Na comparação com três países europeus (Itália, Noruega e Dinamarca) efetuada no estudo, é no consumo de tranquilizantes que Portugal se destaca. Tanto na Noruega (com 62 doses diária por mil habitantes), como em Itália (53) e na Dinamarca (31) a utilização de tranquilizantes é bastante inferior.
Relativamente aos antidepressivos, os dinamarqueses usam-nos mais do que os portugueses, mas os italianos consomem muito menos. Nos antipsicóticos não há grandes diferenças entre estes países.

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