Ébola: 22 milhões de pessoas vivem em zona de risco

Angola e Moçambique estão entre os 22 países assinalados na zona de risco
9 de setembro de 2015 - 16h33
Mais de 22 milhões de pessoas vivem em zonas de África, incluindo Angola e Moçambique, com condições para que o vírus Ébola se transmita de animais para pessoas, segundo um artigo publicado numa revista científica.
Assinado por duas dezenas de cientistas de várias universidades e instituições do mundo, o artigo, publicado hoje na revista científica eLife, conclui que o facto de existir uma vasta zona onde estão reunidas as condições para que haja uma transmissão do vírus de animais para pessoas aumenta o potencial de surtos em seres humanos.
Os cientistas demonstraram ainda que a população humana que vive dentro dessa zona de risco "é maior, mais móvel e mais bem conectada internacionalmente do que na altura em que o vírus foi detetado pela primeira vez", em 1976, no Zaire.  
Angola e Moçambique estão entre os 22 países assinalados na zona de risco, onde, no total, vivem mais de 22 milhões de pessoas. Nenhum dos países referidos, entre os quais está também a populosa Nigéria, registou ainda qualquer caso de transmissão animal-pessoa.  
São raros os casos (apenas 30 confirmados ao longo das quase quatro décadas de história da doença) em que as pessoas foram contaminadas pelo vírus por terem tocado ou comido animais infetados, como morcegos, chimpanzés ou gorilas. 
Porém, alertam os cientistas, no dia em que isso se verificar, "a eventualidade de uma contaminação entre a população humana é maior, particularmente nas áreas com infraestruturas de saúde deficitárias". 
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com sangue, fluidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados, provocando febres hemorrágicas que, na maioria dos casos, são fatais. 
O contacto direto com outras pessoas ou cadáveres infetados tem sido o grande veículo de transmissão do vírus, para o qual não existe tratamento nem vacina. 
Este cenário faz do Ébola um dos mais mortais e contagiosos vírus para os seres humanos, com uma taxa de mortalidade a rondar os 90 por cento. 
O último balanço do mais recente surto do vírus contabiliza mais de dois mil mortos entre os 3.500 casos já registados na Guiné-Conacri, Serra Leoa, Libéria, Senegal e Nigéria. 
O Ébola tem fustigado o continente africano regularmente desde 1976, sendo o atual surto o mais grave desde então. 
A Organização Mundial da Saúde decretou, no dia 8 de agosto, o estado de emergência de saúde pública mundial e a União Africana deverá definir hoje uma estratégia à escala continental para combater a epidemia.
Por Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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