É seguro beber água da torneira" em Portugal, garante entidade reguladora

Objetivo do organismo é atingir os 99% de água segura
1 de outubro de 2013 - 09h00



A qualidade da água das torneiras subiu de “forma consistente" na última década, com o indicador de "água segura" a ultrapassar os 98% em 2012, segundo o relatório da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos hoje divulgado.



“Se em 1993 apenas cerca de 50% da água era controlada e revelava boa qualidade, em 2012 este indicador atingiu o valor de 98%”, refere o relatório anual da ERSAR divulgado no Dia Nacional da Água.



“Em Portugal, 98,2% da água é segura”, um “número excelente, ao nível dos melhores países da Europa, ninguém tem 100%”, disse à agência Lusa o presidente da entidade reguladora, assegurando: "Portugal é um país onde efetivamente é seguro beber água da torneira".



Há ainda uma percentagem (1,65%) que não cumpre os valores definidos, sendo os parâmetros que evidenciam "maior percentagem de incumprimento as bactérias coliformes e os enterococos, por ineficiência da desinfeção, o pH, o ferro, o manganês, o alumínio e o arsénio, devido às características hidrogeológicas das origens de água”, adianta o relatório.



Contudo, explicou Jaime Melo Baptista, estes “poucos casos de incumprimento” nunca chegam a colocar em risco a saúde pública, porque a legislação obriga a que sejam “objeto de intervenção imediata”.



Por lei, adiantou, “um operador que identifique um incumprimento da qualidade da água tem 24 horas, no máximo, para o comunicar à ERSAR e às autoridades de saúde, o que permite uma reação muito rápida, uma identificação do problema e a sua resolução”.



Estes problemas concentram-se essencialmente em pequenos aglomerados do interior do país e são muitas vezes associados a fontanários de águas, que são ”mais difíceis de controlar em termos de qualidade”, além de não serem muito utilizados para abastecimento público.



Segundo o relatório, as 15 entidades gestoras em alta (venda de água a municípios), multimunicipais e intermunicipais, continuam a revelar globalmente melhorias na qualidade da água fornecida.



Com efeito, todas as entidades gestoras realizaram a totalidade das análises regulamentares, com uma taxa de cumprimento dos valores paramétricos de 99,75%.



“Estes dados demonstram que globalmente estes sistemas em alta estão a fornecer água de excelente qualidade”, salienta.



O presidente da ERSAR salientou à Lusa o “passo de gigante” que foi dado nas últimas duas décadas no país em termos de qualidade da água, que teve “um impacto fortíssimo na saúde pública”, na produtividade e nas horas de trabalho.



“Nos últimos 20 anos, deixou de falar-se em problemas de saúde motivados pela água. No final dos anos 70, ainda houve casos de cólera em Portugal”, mas esses problemas “já não existem”, comentou.



O objetivo agora é atingir os 99% de água segura: “Já estamos muito próximo, mas ainda queremos melhorar um pouco”, frisou.



Para a “efetiva melhoria da qualidade da água nos últimos anos”, contribuiu “um controlo da qualidade mais exigente, traduzido num crescente rigor no acompanhamento da implementação da legislação pelos diferentes atores no processo (ERSAR, entidades gestoras, autoridades de saúde e laboratórios de análises)”.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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