Dose única de vacina contra HPV pode evitar cancro do útero

Estudo baseia-se nos resultados de um ensaio clínico que testa a eficácia da vacina Cervarix
5 de novembro de 2013 - 10h23



Uma única dose da vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), causador de 70% dos cancros de colo do útero, pode bastar para desenvolver uma imunidade de longa duração, ao invés das três recomendadas, revela um estudo publicado esta segunda-feira.



"Constatamos que os níveis de anticorpos para os dois tipos de vírus do HPV 16 e 18 nas mulheres vacinadas com uma única dose permaneceram no sangue até quatro anos", disse Mahboobeh Safaeian, do Instituto Nacional do Cancro, em Bethesda, nos Estados Unidos, autora do estudo.



"Esses resultados questionam as recomendações atuais segundo as quais a vacina contra o HPV requer doses múltiplas para gerar uma resposta imunológica de longa duração", acrescentou a especialista em doenças infecciosas, cujo estudo foi publicado na revista Cancer Prevention Research.



Safaeian sublinha que é preciso realizar mais estudos antes de decidir alguma mudança, mas considerou que "esta descoberta é promissora para fazer campanhas de vacinação mais simples e baratas, com hipóteses de serem implementadas em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, onde ocorrem mais de 85% dos cancros de colo de útero e onde a doença é uma das principais causas de morte".



Estudo pouco abrangente



O estudo baseia-se nos resultados de um ensaio clínico que testa a eficácia da vacina Cervarix, do laboratório britânico GlaxoSmithKline. A análise foi realizada em 7.500 mulheres de 18 aos 25 anos. Existe, no entando, outra vacina no mercado, o Gardasil, cuja eficácia não foi testada no âmbito desta investigação.



Cerca de 20% das participantes não receberam as três doses da vacina. Foram analisadas amostras de sangue de um grupo de 78 jovens que receberam uma dose única, em comparação com grupos de 120 a 192 mulheres que receberam duas ou três doses, como estava previsto. Os cientistas descobriram que todas as mulheres dos três grupos tinham anticorpos contra os tipos 16 e 18 do HPV.



Os níveis de anticorpos também mostraram um comportamento estável no tempo, apesar de serem sutilmente inferiores no grupo da dose única.



O HPV pode causar cancro do útero, anal e orofaríngeo.



Segundo a Organização Mundial da Saúde, o cancro do útero é o segundo tipo de cancro mais comum em mulheres de todo o mundo. Todos os anos surgem 500.000 novos casos e contabilizam-se 250.000 mortes.



SAPO Saúde com AFP
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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