Doentes renais crónicos devem ter cuidados redobrados nesta altura do ano

Apesar de ser uma época especialmente propensa a excessos, o controlo alimentar deve ser constante
16 de dezembro de 2013 - 11h27



A alimentação é um fator importante no tratamento da doença renal crónica e no Natal a alimentação assume um papel de destaque e, por isso, há regras que devem ser tidas em conta, alerta a Sociedade Portuguesa de Nefrologia, que sublinha a importância de fazer as opções certas na ceia de Natal.



“A solução não passa pela privação, mas por moderar e adaptar a dieta à condição do doente”, refere Fernando Nolasco, Presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN). Os aperitivos salgados, as carnes e os temperos exigem uma atenção redobrada, devido ao elevado teor de sódio que contêm”.



E acrescenta: “Existe uma relação estreita entre a insuficiência renal e a ingestão de minerais. Uma vez que a eliminação dos minerais depende diretamente dos rins, não deve haver alterações bruscas destes elementos no organismo”.



Ervas aromáticas como alternativa ao sal



Em alternativa aos temperos ricos em sal, sugere-se a utilização de ervas aromáticas, especiarias frescas, vinagre e vinho de mesa na confeção dos alimentos. Pelo mesmo motivo, o bacalhau cozido, muito típico da noite de Natal, deve ser corretamente demolhado. Se optar pela carne, as mais indicadas são as carnes magras, como o peru ou o frango.



Quanto a bebidas alcoólicas - a ingestão em excesso é sempre desaconselhada - deve optar-se por um copo de vinho, rico em antioxidantes que ajudam a eliminar as toxinas do corpo.



Apesar de esta ser uma época especialmente propensa a excessos, o controlo alimentar deve ser constante. “É importante que o doente seja seguido por um nutricionista que possa criar um plano alimentar adaptado às suas necessidades específicas, com os alimentos certos nas quantidades certas”, refere Fernando Nolasco.



Em Portugal, estima-se que cerca de 800 mil pessoas deverão sofrer de doença renal crónica. A progressão da doença é muitas vezes silenciosa, o que leva o doente a recorrer ao médico tardiamente, já sem qualquer possibilidade de recuperação.



Todos os anos surgem mais de dois mil novos casos de doentes em falência renal. Em Portugal existem atualmente cerca de 16 mil doentes em tratamento substitutivo da função renal (cerca de 2/3 em diálise e 1/3 já transplantados), e cerca dois mil aguardam em lista de espera a possibilidade de um transplante renal.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

Comentários