Doentes lusófonos valem milhões nos hospitais privados em Portugal

Entre os doentes estrangeiros, mais de metade são provenientes do Brasil e dos PALOP

30 de dezembro de 2013 - 13h11

O número de doentes dos países lusófonos atendidos nos hospitais privados portugueses já se contabiliza em milhares de pessoas e num valor de milhões de euros, de acordo com dados fornecidos à Lusa pelos principais operadores em Portugal.

Informações recolhidas pela Lusa junto da Espírito Santo Saúde (ESS), da José de Mello Saúde (JMS) e da Hospitais Privados de Portugal (HPP), indicam que o número de doentes dos países lusófonos, com especial incidência no Brasil e em Angola, já ultrapassou os 10 mil só este ano, representando uma facturação que, por exemplo no caso da ESS, ultrapassa os oito milhões de euros em 2013.

Os números não são exactos, porque nesta como noutras áreas de actividade, 'o segredo é a alma do negócio', mas segundo os números divulgados pelas empresas, a ESS vai atender este ano em Portugal cerca de 18 mil clientes estrangeiros, que já representam cerca de 5% da facturação do grupo privado de saúde, o equivalente a 13 milhões de euros.

De acordo com os dados fornecidos à Lusa, a maioria dos doentes é atendido nas unidades de Lisboa e Porto, com especial incidência no hospital da Luz, que "entre Julho e Agosto deste ano atendeu cinco mil doentes estrangeiros", disse uma fonte da direcção, que compara com os 7.000 pacientes atendidos em todo o ano de 2009.

Entre os doentes estrangeiros, mais de metade são provenientes do Brasil e dos PALOP, com especial incidência, dentro deste grupo, para os angolanos, que representam mais de um terço do total.

A JMS, um dos principais grupos privados de saúde a operar em Portugal, já atendeu este ano mais de mil angolanos e quase 500 brasileiros, de acordo com cálculos da Lusa baseados nos números oficiais.

"Para os clientes internacionais a José de Mello Saúde concebeu e implementou o gabinete de apoio ao cliente internacional, que recebe os doentes e trata-os consoante as suas necessidades", explicou à Lusa a directora de marketing do grupo.
Paula Brito Silva diz que estes clientes "têm que ter tudo
marcado e agilizado num determinado período de tempo, desde que seja
técnica e clinicamente possível, tendo muitas vezes necessidades que se
ligam mais ao turismo, como a marcação de hotéis e o planeamento de
estadas".

Entre os clientes estrangeiros, Angola é o maior
emissor, principalmente desde que a JMS começou a fazer publicidade nos
meios de comunicação angolanos, anunciando um conjunto de pacotes para a
realização de determinados actos de saúde, como cirurgias específicas e
partos acompanhados desde o segundo trimestre de gravidez.

A JMS
já tem "mais 2.500 clientes internacionais desde Setembro do ano
passado, quando foi criado o gabinete de apoio ao cliente internacional,
sendo que mais de 50% destes são originários de Angola e Brasil, e há
três vezes mais clientes angolanos que brasileiros", explica a mesma
fonte.

Na Hospitais Privados de Portugal, a procura de cuidados
médicos e os pedidos de informações por parte de cidadãos estrangeiros
cresceu 15% nos últimos anos, disse a empresa, sem avançar números mais
concretos.

"A HPP Saúde tem vindo a registar um nível de
actividade sustentado nesta área. No entanto, e dado que a monitorização
não era feita de forma integrada em todo o país, os dados de que
dispomos são apenas relacionados com a procura através da plataforma
www.algarvemedicaltourism.com, que aponta para um crescimento da
procura/pedidos de informação através deste meio de cerca de 15% nos
últimos anos", disse à Lusa uma fonte oficial do grupo.

Quanto à
nacionalidade dos clientes, "os países predominantes são o Reino Unido,
Irlanda e Estados Unidos, mas recebemos também clientes de outros países
tais como a Rússia, Turquia, África do Sul, Bélgica, Malta, Angola
entre outros", referiu a mesma fonte, prevendo que "esta procura irá
manter-se nos próximos anos, podendo até vir a conhecer um crescimento
face às novas directivas comunitárias na União Europeia e ao interesse
crescente pela actividade de turismo médico no nosso país".

Questionada
sobre o volume de facturação e o número concreto de doentes
estrangeiros atendidos nas unidades do grupo em Portugal, a empresa não
forneceu esses dados, explicando que essa segmentação é feita apenas
para o hospital do Algarve.

O Ministério da Saúde, questionado
pela Lusa sobre o número de doentes estrangeiros atendidos nos hospitais
do Serviço Nacional de Saúde, referiu apenas que "o número total de
doentes estrangeiros tratados em Portugal em 2012 foi de 124.959".

Lusa

Comentários