Doentes infetados com vírus da Sida apresentam remissão quase total do vírus

O estudo envolveu 14 adultos, tratados com uma série de antirretrovirais após 10 semanas de infeção

15 de março de 2013 - 09h33



Um estudo francês com 14 pacientes portadores do vírus da Sida que permaneceram saudáveis durante anos depois de interromperem o tratamento dá novas pistas sobre a intervenção precoce na doença. Os cientistas avançam com a possibilidade de se tratar de uma "cura funcional", indica o estudo publicado esta quinta-feira.



A investigação, publicada na quinta-feira na revista norte-americana PLos Pathogenes, sucede à revelação da semana passada de que um bebé do Mississipi estaria curado da infeção por VIH depois de um tratamento com antirretrovirais que se iniciou às 30 horas de vida.



O grupo de 14 adultos acompanhados no estudo foi tratado contra o vírus com uma série de medicamentos antirretrovirais e deixou o tratamento, em média, entre dois e três anos depois. O grupo tem sido capaz de manter as cargas virais controladas por uma média de sete anos e meio sem recurso ao tratamento, acrescenta o estudo.



Todos os participantes residem em França, têm entre 34 e 66 anos e foram infetados com o vírus nos anos 1990 e 2000.



No início deste mês, um conjunto de médicos norte-americanos anunciaram que um bebé infetado com o vírus da Sida ficou curado, apresentando o caso como o primeiro de “cura funcional” de uma criança contaminada à nascença com o VIH, transmitido pela mãe seropositiva.



Enfraquecimento do vírus



Para os virologistas, não se trata da erradicação do vírus, mas sim do seu enfraquecimento, de tal maneira que o sistema imunitário da criança consegue controlá-lo sem antirretrovirais.



"Esta informação pode ser utilizada na procura de novos caminhos para medicamentos ou, no melhor dos casos, avenidas para o desenvolvimento de novas vacinas", afirmou Mark Siedner, estudante de pós-doutoramento da divisão de doenças infecciosas do Hospital Geral de Massachusetts, da Escola Médica de Harvard, cita a AFP.



"É preciso lembrar que a grande maioria dos pacientes infetados com HIV tem depósitos virais estabelecidos e que abandonar a medicação resultaria numa replicação do vírus, na destruição imune e eventual Aids clínica", frisou.



Estima-se que cerca de 33 milhões de pessoas estejam infetadas com o vírus da Sida em todo o mundo. Em Portugal, os últimos dados são de 2007 e apontam para um total de 32 mil pessoas com a doença.



SAPO Saúde com Lusa e AFP

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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