Doentes e médicos devem falar mais para gerir melhor a doença

Doentes devem ter conhecimento de medicinas alternativas e dos custos associados
11 de janeiro de 2013 – 17h30



A diretora da Escola Nacional de Saúde Pública defende a “necessidade imperiosa” de haver mais comunicação entre médicos e doentes, para que estes conheçam melhor a sua situação clínica e participem mais ativamente na gestão da doença.



“Se tivermos pessoas com literacia em saúde podemos partilhar a informação (…), ainda mais num contexto em que há um aumento de doenças crónicas”, disse Ana Escoval, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), acrescentando ser “indispensável que os profissionais discutam e partilhem informações com os doentes”.



Ana Escoval falou à Lusa a propósito do projeto “Saúde que Conta”, coordenado pela ENSP, que vai organizar um “Think Tank” - espaço de reflexão - sobre “Decisão Partilhada em Saúde”.



O projeto “Saúde que Conta” é uma iniciativa de investigação nacional, no âmbito da Capacitação do Cidadão, que teve início em 2011 com o tema Literacia em Saúde e cujos resultados apontaram para a necessidade de “trabalhar na decisão partilhada”.



De acordo com Ana Escoval, este é um tema que a nível internacional começa a ter grande importância e Portugal está a preparar-se para participar no próximo inquérito europeu para conhecer o nível de literacia dos cidadãos.



Já está em desenvolvimento um software que ajuda os profissionais de saúde “nessa relação de guia e encaminhamento do doente”, adiantou a responsável.



“Com o sistema de informação, em cada contacto com o doente o profissional tem acesso à evolução do tratamento e pode ir acompanhando e partilhando esse conhecimento, para a que as decisões sejam partilhadas e mais informadas”, explicou.



Ana Escoval considera fundamental que os doentes saibam quais os recursos disponíveis, a evolução da terapêutica no futuro e as alternativas disponíveis. “Na maioria dos tratamentos há alternativas que podem e devem ser partilhadas entre profissionais e doentes. Deve haver conhecimento por parte dos doentes dessas alternativas, os seus custos e as que melhor se adequam ao seu estilo de vida”, concluiu.



O projeto “Saúde que Conta”, coordenado pela ENSP, reúne um conjunto de especialistas de reconhecido mérito em áreas tão diversas como a medicina, educação, política, serviço social, igreja, instituições governamentais e sociedade civil.



Lusa


artigo do parceiro: Nuno Noronha

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