Doentes de Gaia e Espinho esperam meses por resultados de exames

Vários doentes do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho submetidos a cirurgias estão há meses à espera dos resultados das análises de anatomia patológica, o que os impede de ter um diagnóstico e iniciar qualquer tipo de tratamento.
créditos: PEDRO NUNES/LUSA

Dois doentes que retiraram tumores do intestino afirmaram à Lusa que este atraso incomoda o próprio médico que os segue, que lhes afirmou não perceber o que se passa mas que a atual situação o impede de definir um tratamento a fazer.

Também um homem operado a um tumor no estômago confirmou à Lusa ter esperado cerca de dois meses pelo resultado da análise, que foi feita “por um laboratório em Lisboa, o que fez com que a amostra andasse extraviada”.

Este doente, que iniciou recentemente quimioterapia depois de ter esperado cerca de dois meses pelo resultado da análise, disse acreditar que haverá muitos doentes nesta situação.

“Disseram-me que deixaram de trabalhar com um laboratório no Porto e passaram a trabalhar com um outro em Lisboa e as amostras andam extraviadas”, disse, criticando “a troca de laboratórios por questões economicistas”.

Um outro doente, operado a uma apendicite, depois de esperar dois meses pelo resultado da sua análise de anatomia patológica, aguarda agora por uma contra-análise ao diagnóstico de tumor pedida pelo médico, que contesta o resultado “devido ao atraso e por ter dúvidas quanto ao laboratório para onde foi enviada a amostra”.

Contactada pela Lusa, a administração do Centro Hospitalar Gaia/Espinho admitiu “existirem situações pontuais de atrasos na entrega de exames de anatomia patológica, por um prestador externo, à qual é alheia”, garantindo que, “à data [de quinta-feira]”, a situação estava já resolvida.

Sob anonimato, um dos doentes que prestou esclarecimentos à Lusa foi operado a um tumor no intestino no final de setembro e até à sexta-feira passada ainda não sabia do resultado da análise de anatomia patológica, porque “ele não aparece”.

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