Doentes de Bragança são “profundamente prejudicados”, diz bastonário

Doentes de Bragança não têm ajuda para deslocações ao IPO do Porto, por exemplo
5 de fevereiro de 2014 - 12h22



O bastonário da Ordem dos Médicos considerou hoje que os doentes de Bragança são profundamente prejudicados no acesso à saúde pelas longas distâncias e pela falta de apoio do Estado nas deslocações.



José Manuel Silva iniciou hoje, em Macedo de Cavaleiros, uma visita de dois dias ao Distrito de Bragança, onde vai passar por unidades de saúde e encontrar-se com profissionais e autarcas.



Logo no início da visita constatou duas situações: as distâncias continuam “a pesar muito e a prejudicar negativamente os doentes” e a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a nível local “está a ser afetada” pelo subfinanciamento dos serviços.



“O financiamento está a introduzir enviesamentos na produção médica, porque há atos médicos, nomeadamente cirúrgicos, que estão subfinanciados e está-se a assistir a uma verdadeira desnatação de atos médicos porque o financiamento hospitalar por ato está completamente desadequado e os hospitais estão subfinanciados e isso está a ter consequências na sua capacidade de resposta”, apontou.



Em Macedo de Cavaleiros, o bastonário encontrou serviços de “excelência” ao nível da Ortopedia e da unidade de AVC (Acidente Vascular Cerebral), porém na região falta muitas especialidades, o que obriga a longas deslocações dos doentes, concretamente de Oncologia.



“Os doentes de Bragança nas patologias em que não pode haver resposta no Distrito são profundamente prejudicados, nomeadamente relativamente aos doentes do Porto, na questão oncológica”, observou.



O bastonário sublinhou que “um doente do Porto está próximo do IPO (Instituto Português de Oncologia), um doente de Bragança está longe e, no entanto não tem ajuda para a sua deslocação”.



José Manuel Silva passou também por Alfândega da Fé, onde a autarquia local está a disponibilizar transportes a cerca de 30 doentes que de outra forma ficariam sem tratamento por falta de dinheiro para as deslocações.



“Isto devia ser feito em cooperação com o financiamento do SNS”, defendeu o bastonário, reiterando que os doentes de Bragança “não podem ter de pagar todas as despesas de deslocação enquanto outros cidadãos do país não têm que pagar essa despesa porque estão próximos dos meios hospitalares”.



O bastonário da Ordem dos Médicos vai percorrer todos os distritos do país para “avaliar aquilo que se passa no terreno” e fazer um relatório que pretende entregar ao Ministério da Saúde.



José Manuel Silva aconselhou o ministro Paulo Macedo a que “faça exatamente o mesmo porque é ao falar com os médicos, não com os burocratas, que vai receber informações absolutamente essenciais para melhorar a gestão do SNS”.



SAPO Saúde com Lusa
artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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