Doentes alertam para dificuldades de marcação de colonoscopias na Grande Lisboa

Há cerca de sete mil casos de cancro do intestino por ano e, em média, morrem 11 pessoas por dia
31 de outubro de 2013 - 10h16



A Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino alerta para as dificuldades de muitos utentes na marcação de colonoscopias na Grande Lisboa, queixas que já foram reportadas ao Ministério da Saúde, mas que continuam sem ser resolvidas.



De acordo com o presidente da associação Europacolon, Vítor Neves, são várias as queixas que têm chegado à linha de apoio 808 200 199, sempre de utentes da zona da Grande Lisboa.



São casos de pessoas que têm a prescrição de uma colonoscopia passada pelo centro de saúde, mas têm dificuldade ou mesmo impossibilidade de a conseguir marcar.



Catarina Casimiro, de 38 anos, é um dos exemplos. Depois de a médica lhe ter prescrito a credencial para fazer o exame, indicou-lhe apenas uma clínica com a qual o Estado tem acordo.



“Liguei para essa clínica e foi muito difícil atenderem-me. Além disso exigiam, apenas para marcar o exame, que lá fosse presencialmente entre as 09:00 e as 17:00 de segunda a sexta. Tinha de tirar horas do meu trabalho apenas para marcar o exame, nem era para o fazer. É ridículo”, disse à Lusa esta utente.



Catarina acabou por desistir de fazer o exame através do Serviço Nacional de Saúde e optou por usar o seu seguro privado para realizar a colonoscopia.



Para Vítor Neves, é “muito mau sinal” um utente não conseguir realizar um exame depois de ter um documento do médico a dizer que dele necessita.



“Já colocámos a questão diretamente à tutela e continuamos a chegar à conclusão que a situação não está resolvida. Há meses que demos conta à tutela do que estava a acontecer”, adiantou.



A agência Lusa contactou o Ministério da Saúde sobre este assunto, mas até ao momento não recebeu qualquer resposta.



Em Portugal há cerca de sete mil casos de cancro do intestino por ano e, em média, morrem 11 pessoas por dia com a doença.



“Não entendemos como é que na Europa, em 2013, morrem em Portugal sete mil pessoas por ano. Se houvesse rastreio de base populacional poderia evitar-se cerca de dois terços destas mortes”, reclamou Vítor Neves.



O responsável pela Associação de Luta Contra o Cancro do Intestino lembrou ainda que, além das mortes que se podem evitar, o rastreio pode ser “uma fonte de poupança anual de milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde”.



“Encontrar a doença numa fase inicial ou num estado avançado faz muita diferença nos custos”, justificou, considerando que os rastreios não avançam essencialmente por falta de vontade política.



Vítor Neves admite que em Portugal não haja técnicas e equipamentos para se avançar para um rastreio através de colonoscopia total, mas indicou que podem fazer-se exames através da pesquisa de sangue oculto nas fezes, uma forma não tão eficaz, mas que pode ser já um avanço.



“O cancro colo-rectal, na maior parte das vezes, pode ser evitado, tratado ou estabilizado, se detetado a tempo. Para que tal aconteça, é imprescindível que o rastreio de base populacional seja implementado em todos os países da Europa”, frisa a Europacolon, que conseguiu que os eurodeputados portugueses se unissem ao assinar uma carta de sensibilização dirigida ao Governo português.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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