Doente com cancro processa IPO por recusa de medicamentos inovadores

Luís Duarte, 59 anos, tem um cancro da próstata num estádio já avançado
17 de dezembro de 2013 - 08h44



Um doente com cancro de próstata em estado avançado decidiu recorrer a um tribunal para obrigar o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto a fornecer-lhe medicamentos inovadores, muito dispendiosos, que lhe foram recusados.



Trata-se de uma ação fora do comum: uma intimação que visa levar os responsáveis do IPO a disponibilizar o tratamento que Luís Pereira Duarte necessita, com a maior rapidez possível, porque já tem metástases no fígado e o seu estado de saúde piora de dia para dia, escreve o jornal Público.



“Estão a negar-me o direito à vida, ao contribuir para que a minha sobrevivência seja reduzida”, diz Luís Duarte, um engenheiro civil reformado de 59 anos que nos últimos meses se tem desdobrado a enviar cartas para o IPO e até para o ministro da Saúde



Inconformado com o teor das respostas, decidiu avançar para tribunal, por considerar que é a única alternativa que lhe resta.



Luís Duarte é doente do IPO do Porto desde 2005. Depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro da próstata, removeram-lhe o carcinoma nesse ano, mas teve uma recidiva em 2010. Depois de nova cirurgia, fez hormonoterapia, mas no ano passado foram-lhe detetadas metástases nos pulmões. Submetido a uma cirurgia torácica, diagnosticaram-lhe mais tarde metástases no fígado.



Em abril deste ano começou a fazer sessões de quimioterapia com docetaxel, tratamento que interrompeu no final de agosto, quando se percebeu que não estava a resultar. Na altura os médicos falaram-lhe também na hipótese de tratamento com abiraterona e enzalutamida, duas substâncias igualmente indicadas para o seu caso, com a vantagem de serem fornecidas em comprimidos.



Desde essa altura, Luís espera uma decisão sobre o tratamento a ministrar e pediu cópia do despacho de não autorização, sem sucesso.



Em carta enviada outubro, o director clínico do IPO, Machado Lopes, justificava que os medicamentos em questão “ainda não se encontram autorizados para uso hospitalar no Serviço Nacional de Saúde” e acrescentava que a abiraterona está disponível em farmácia mediante simples receita médica. O fármaco custa cerca de três mil euros por mês.



Desde essa altura, Luís Duarte continua à espera.



SAPO Saúde
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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