Doenças respiratórias já matam 12% mas rede nacional de espirometria ainda falha

Há agrupamentos de centros de saúde do país que não dispõem de equipamentos para realizar exames de prova de função pulmonar, um método de diagnóstico essencial.

As doenças respiratórias já são a terceira causa de morte em Portugal, atrás das patologias cardiovasculares e do cancro. De acordo com segundo relatório do Programa Nacional de Doenças Respiratórias, apresentado em Faro, no Algarve, em meados de setembro deste ano, cerca de 12% dos óbitos são provocados por doenças respiratórias. O número de casos tem crescido entre as pessoas com mais de 70 anos.

Ainda assim, apesar do aumento preocupante, a rede nacional de espirometria, um exame do pulmão que permite o registo dos volumes e dos fluxos de ar que apenas pode ser feito por um cardiopneumologista, continua longe de ser uma realidade efetiva. Há agrupamentos de centros de saúde do país que nem sequer dispõem de equipamentos para realizar estes exames de sopro e de prova de função pulmonar.

Um projeto-piloto realizado no Algarve e no Alentejo, com mais de 3.000 voluntários, acabou por revelar dados surpreendentes. «Foi detetada alteração, no sentido de obstrução brônquica, em 26%. E a deteção permite que as pessoas deixem de fumar, façam vacinação da gripe e medicação preventiva, permitindo reduzir as idas às urgências e os internamentos», assegura Cristina Bárbara.

A responsável do Programa Nacional de Doenças Respiratórias que apresentou o relatório disse à Lusa, agência de notícias portuguesa, que é necessário criar «uma rede nacional de espirometria». «Enquanto no passado havia maior mortalidade no sexo masculino [em função de doenças respiratórias], presentemente, em números absolutos de óbitos, são iguais em homens e mulheres», realça a especialista.

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