Doenças não diagnosticadas da tiroide originam infertilidade

Hormonas produzidas por esta glândula interagem continuamente com hormonas sexuais
17 de maio de 2013 - 14h30



As doenças não diagnosticadas da tiroide são responsáveis por problemas na gravidez e na fertilidade, alertou hoje Edward Limbert, do Grupo de Estudos da Tiroide, lamentando que estas doenças sejam “pouco conhecidas e valorizadas, apesar de serem muito frequentes”.



Tendo em conta que muitos dos sintomas associados às disfunções da tiroide passam despercebidos, há casais que poderão sofrer de problemas de infertilidade devido a um mau funcionamento da tiroide, uma vez que as hormonas produzidas por esta glândula, localizada no pescoço, interagem continuamente com outras hormonas, principalmente hormonas sexuais.



“Por vezes, os sintomas dessa situação são ligeiros e, portanto, os casais andam muitas vezes a fazer estudos de infertilidade e a causa é, de facto, a hipofunção tiroideia. Isso é relativamente frequente”, afirmou o especialista.



Edward Limbert falava à Lusa a propósito da Semana Internacional da Tiroide que decorre de 20 a 26 deste mês com o objetivo de alertar para uma doença que afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo e que em Portugal já atinge mais de um milhão de portugueses.



No decorrer da próxima semana será realizado um conjunto de ações destinado a chamar a atenção para as doenças da tiroide e a influência que o seu funcionamento pode ter na gravidez e na fertilidade de homens e mulheres.



Estas doenças atingem maioritariamente as mulheres (8 vezes mais mulheres do que homens), grávidas e crianças. “Nas crianças, os problemas da tiroide afetam o seu desenvolvimento físico e mental provocando dificuldades da aprendizagem e mau desempenho escolar”, salientou Edward Limbert.



“Nas grávidas, as alterações na função tiroideia podem dar origem a interrupções da gravidez e são uma das causas de malformações fetais”, acrescentou.



Em Portugal estima-se que cerca de cinco por cento da população sofra de alterações da função tiroideia, dentro destas o hipotiroidismo é mais frequente, com especial incidência no sexo feminino. Cerca de cinco por cento dos portugueses apresentam nódulos tiroideus.



Para assinalar a Semana Internacional da Tiroide, o Grupo de Estudo da Tiroide (GET) da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), a Federação Internacional da Tiroide e a Associação das Doenças da Tiroide estão a promover várias ações em vários pontos do país, que incluem Rastreios gratuitos à Tiroide (Lisboa, Porto, Évora), Caminhada “Manhã Saudável” (Porto), Workshops sobre a doença, Ações de divulgação em vários hospitais do país e Cursos para profissionais de saúde.



Lusa
artigo do parceiro: Nuno Noronha

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